Calor e baixa umidade favorecem a colheita do milho segunda safra, mas aumenta o risco para a pecuária do Centro-Oeste.
Tempo seco facilita as operações de colheita, mas exige cuidados redobrados com os rebanhos.
As condições meteorológicas previstas para os próximos dias exigem maior atenção às lavouras de milho segunda safra e aos sistemas pecuários na Região Centro-Oeste do país. De acordo com o acompanhamento da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), a colheita do milho segunda safra encontra-se em fase final no Brasil, com 84,7% da área nacional já colhida. Em Mato Grosso, os trabalhos estão praticamente concluídos, e as produtividades observadas superaram as estimativas iniciais esperadas pelos produtores. Em Goiás, a colheita avança nas regiões norte e leste e se aproxima da finalização em áreas do sudoeste. Já em Mato Grosso do Sul, a ocorrência de chuvas restringiu o avanço das operações em parte do estado; nesse contexto, o tempo firme previsto para os próximos dias tende a favorecer a retomada e a aceleração da colheita, além de contribuir para a secagem natural dos grãos.
Para as lavouras de milho segunda safra que se encontram predominantemente nas fases de maturação fisiológica e colheita, a ausência de precipitação tende a exercer efeito favorável do ponto de vista operacional, pois contribui para a redução gradual da umidade dos grãos, melhora a uniformidade da secagem no campo e amplia as janelas de colheita. Esse cenário pode reduzir a necessidade de secagem artificial e diminuir o risco de deterioração pós-colheita associado ao excesso de umidade. No entanto, nas áreas mais tardias, ainda em enchimento de grãos, a combinação entre temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar e manutenção do déficit hídrico no solo pode intensificar a evapotranspiração, limitar a translocação de fotoassimilados para os grãos e reduzir o peso final, com reflexos diretos sobre o potencial produtivo. Na pecuária, a persistência de tempo seco compromete a rebrota e a qualidade nutricional das pastagens, reduz a disponibilidade de forragem e pode elevar a necessidade de suplementação alimentar e manejo mais criterioso da lotação animal durante o período seco.
A previsão de precipitação acumulada para os próximos sete dias, com base no modelo COSMO (Consórcio para Modelagem em Pequena Escala), indica volumes baixos e pontuais, localizados principalmente no extremo sul de Mato Grosso do Sul. Nas demais áreas da Região Centro-Oeste, a tendência é de predomínio de tempo estável ao longo da semana, sob influência de uma massa de ar seco. Esse padrão atmosférico favorece a elevação das temperaturas máximas, que devem variar entre 34 °C a 38 °C em grande parte da região, podendo superar 40 °C em áreas do norte e centro-sul de Mato Grosso e norte do Mato Grosso do Sul (Figura 2). A umidade relativa do ar deve permanecer abaixo de 20% em áreas do norte de Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e setores noroeste, sudeste e norte de Mato Grosso, especialmente no período da tarde. Esse cenário intensifica a condição de secura atmosférica e requer atenção para riscos associados ao desconforto térmico, ao aumento da evapotranspiração e à maior demanda hídrica das culturas e pastagens.

Figura 1: Previsão de precipitação acumulada para o período de 19 a 26 de agosto de 2026, com base no modelo do Sistema COSMO (Consórcio para Modelagem em Pequena Escala). Fonte: INMET.
A combinação de temperaturas elevadas, ausência de precipitação e baixos índices de umidade relativa do ar ao longo da semana tende a intensificar as condições de estresse térmico nos rebanhos, especialmente aqueles mantidos em sistemas extensivos a pasto. Esse padrão atmosférico favorece a redução da umidade da vegetação e da palhada remanescente das lavouras recém-colhidas, elevando o risco de propagação de focos de incêndio em áreas agrícolas e pastagens secas. Diante desse cenário, recomenda-se reforçar o fornecimento de água limpa e fresca em volume superior ao habitual, garantir áreas adequadas de sombreamento natural ou artificial para os animais e evitar manejos que demandem esforço físico, como deslocamentos, apartações e transporte, durante os períodos de maior radiação solar e temperaturas mais elevadas.

Figura 2: Previsão de temperatura máxima do ar para o período de 19 a 25 de agosto de 2026, com base no modelo do Sistema COSMO (Consórcio para Modelagem em Pequena Escala). Fonte: INMET.
Esse cenário reforça a necessidade de atenção ao planejamento das atividades agropecuárias na região. Recomenda-se, o acompanhamento contínuo das previsões e avisos meteorológicos emitidos pelo INMET, de modo a subsidiar a tomada de decisão nas lavouras e pecuária, reduzir riscos operacionais, prevenir perdas associadas ao estresse hídrico e térmico e otimizar o planejamento das operações de campo.

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