Calor e baixa umidade favorecem a colheita do milho segunda safra, mas aumenta o risco para a pecuária do Centro-Oeste.

Tempo seco facilita as operações de colheita, mas exige cuidados redobrados com os rebanhos.

Publicado em 19/08/2026 10h29 . Última modificação 19/08/2026 10h49 .


As condições meteorológicas previstas para os próximos dias exigem maior atenção às lavouras de milho segunda safra e aos sistemas pecuários na Região Centro-Oeste do país. De acordo com o acompanhamento da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), a colheita do milho segunda safra encontra-se em fase final no Brasil, com 84,7% da área nacional já colhida. Em Mato Grosso, os trabalhos estão praticamente concluídos, e as produtividades observadas superaram as estimativas iniciais esperadas pelos produtores. Em Goiás, a colheita avança nas regiões norte e leste e se aproxima da finalização em áreas do sudoeste. Já em Mato Grosso do Sul, a ocorrência de chuvas restringiu o avanço das operações em parte do estado; nesse contexto, o tempo firme previsto para os próximos dias tende a favorecer a retomada e a aceleração da colheita, além de contribuir para a secagem natural dos grãos.

Para as lavouras de milho segunda safra que se encontram predominantemente nas fases de maturação fisiológica e colheita, a ausência de precipitação tende a exercer efeito favorável do ponto de vista operacional, pois contribui para a redução gradual da umidade dos grãos, melhora a uniformidade da secagem no campo e amplia as janelas de colheita. Esse cenário pode reduzir a necessidade de secagem artificial e diminuir o risco de deterioração pós-colheita associado ao excesso de umidade. No entanto, nas áreas mais tardias, ainda em enchimento de grãos, a combinação entre temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar e manutenção do déficit hídrico no solo pode intensificar a evapotranspiração, limitar a translocação de fotoassimilados para os grãos e reduzir o peso final, com reflexos diretos sobre o potencial produtivo. Na pecuária, a persistência de tempo seco compromete a rebrota e a qualidade nutricional das pastagens, reduz a disponibilidade de forragem e pode elevar a necessidade de suplementação alimentar e manejo mais criterioso da lotação animal durante o período seco.

A previsão de precipitação acumulada para os próximos sete dias, com base no modelo COSMO (Consórcio para Modelagem em Pequena Escala), indica volumes baixos e pontuais, localizados principalmente no extremo sul de Mato Grosso do Sul. Nas demais áreas da Região Centro-Oeste, a tendência é de predomínio de tempo estável ao longo da semana, sob influência de uma massa de ar seco. Esse padrão atmosférico favorece a elevação das temperaturas máximas, que devem variar entre 34 °C a 38 °C em grande parte da região, podendo superar 40 °C em áreas do norte e centro-sul de Mato Grosso e norte do Mato Grosso do Sul (Figura 2). A umidade relativa do ar deve permanecer abaixo de 20% em áreas do norte de Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e setores noroeste, sudeste e norte de Mato Grosso, especialmente no período da tarde. Esse cenário intensifica a condição de secura atmosférica e requer atenção para riscos associados ao desconforto térmico, ao aumento da evapotranspiração e à maior demanda hídrica das culturas e pastagens.

Figura 1: Previsão de precipitação acumulada para o período de 19 a 26 de agosto de 2026, com base no modelo do Sistema COSMO (Consórcio para Modelagem em Pequena Escala). Fonte: INMET.


A combinação de temperaturas elevadas, ausência de precipitação e baixos índices de umidade relativa do ar ao longo da semana tende a intensificar as condições de estresse térmico nos rebanhos, especialmente aqueles mantidos em sistemas extensivos a pasto. Esse padrão atmosférico favorece a redução da umidade da vegetação e da palhada remanescente das lavouras recém-colhidas, elevando o risco de propagação de focos de incêndio em áreas agrícolas e pastagens secas. Diante desse cenário, recomenda-se reforçar o fornecimento de água limpa e fresca em volume superior ao habitual, garantir áreas adequadas de sombreamento natural ou artificial para os animais e evitar manejos que demandem esforço físico, como deslocamentos, apartações e transporte, durante os períodos de maior radiação solar e temperaturas mais elevadas.

Figura 2: Previsão de temperatura máxima do ar para o período de 19 a 25 de agosto de 2026, com base no modelo do Sistema COSMO (Consórcio para Modelagem em Pequena Escala). Fonte: INMET.


Esse cenário reforça a necessidade de atenção ao planejamento das atividades agropecuárias na região. Recomenda-se, o acompanhamento contínuo das previsões e avisos meteorológicos emitidos pelo INMET, de modo a subsidiar a tomada de decisão nas lavouras e pecuária, reduzir riscos operacionais, prevenir perdas associadas ao estresse hídrico e térmico e otimizar o planejamento das operações de campo.

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