Previsão indica retorno da chuva e aumenta a atenção na colheita e secagem do café no Sudeste
Chuvas podem desacelerar a colheita e estimular a florada nos cafezais.
A previsão de chuva em importantes regiões cafeeiras do Sudeste brasileiro requer atenção dos produtores, sobretudo nas etapas finais da colheita e nos processos de secagem dos grãos. Nessa fase da safra, a ocorrência de episódios de chuva pode comprometer a eficiência das operações de campo, elevar o risco de perdas de qualidade e dificultar o manejo pós-colheita.
De acordo com a previsão do modelo americano Global Forecast System (GFS), válida entre 26 de agosto e 11 de setembro de 2026, acumulados expressivos podem alcançar parte das principais áreas produtoras de café da Região Sudeste (Figura 1). Em Minas Gerais, os maiores volumes são previstos para o Sul de Minas e Serra da Mantiqueira. No Cerrado Mineiro, a chuva deverá apresentar forte variação espacial, com menores acumulados no setor norte e volumes mais significativos nas áreas central, sul e sudoeste. Nas Matas de Minas, a precipitação também deverá ocorrer de forma irregular, com tendência de maiores volumes no setor sul. Na região da Chapada, devem predominar ausência de chuva ou acumulados baixos e localizados.
Em São Paulo, as precipitações deverão alcançar áreas produtoras da Alta Mogiana, da Região do Pinhal, da Mogiana e do centro-oeste paulista, com acumulados geralmente entre 40 e 80 mm. Volumes superiores a 100 mm poderão ocorrer pontualmente no litoral norte do estado, fora de parte importante do cinturão cafeeiro paulista (Figura 1). Nas regiões produtoras atingidas, a chuva poderá reduzir temporariamente a disponibilidade de dias favoráveis para as operações de colheita e para a secagem dos grãos.

Figura 1. Previsão de precipitação acumulada entre 26 de agosto e 11 de setembro de 2026, com base no modelo americano Global Forecast System (GFS/NCEP). Fonte: INMET.
A mudança ocorre após um período marcado pelo predomínio de tempo seco e temperaturas elevadas, condições que favoreceram a maturação, a colheita e a secagem do café. Segundo o Monitoramento Semanal das Condições das Lavouras, publicado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 17 de agosto de 2026, as condições meteorológicas encontravam-se favoráveis à colheita na Região Sudeste. Para a safra de 2026, a Conab estima uma produção nacional de 66,7 milhões de sacas de 60 kg, volume superior em mais de 18% ao registrado em 2025.
Nas áreas atingidas, as chuvas poderão interromper temporariamente a colheita, dificultar o deslocamento de trabalhadores e máquinas, além de comprometer a secagem do café em terreiros. A permanência de frutos maduros nas plantas ou no solo, assim como o molhamento de lotes em processo de secagem, requer atenção, pois períodos prolongados de umidade podem favorecer fermentações indesejadas e comprometer a qualidade da bebida.
Os impactos não deverão ocorrer de forma uniforme em toda a Região Sudeste, devido à distribuição irregular das chuvas e às diferenças no estágio da colheita. Recomenda-se acompanhar a previsão meteorológica e as condições locais dos frutos, dos grãos, do solo e dos terreiros. Como se trata de uma previsão de prazo estendido, a localização e os volumes das chuvas podem sofrer alterações nas próximas atualizações. Ressalta-se que, a Figura 1 apresenta o total de chuva acumulada no período de quinze dias e não permite identificar os dias de ocorrência da precipitação. Assim, torna-se necessário acompanhar as previsões de curto prazo para um melhor planejamento da colheita e da secagem.
Além dos efeitos sobre a safra em colheita, o retorno das chuvas poderá influenciar o início do próximo ciclo produtivo. Durante o período seco, os botões florais permanecem em repouso e, quando já estão fisiologicamente maduros, a rápida reidratação promovida pela chuva pode estimular sua abertura, resultando em floradas pontuais ou antecipadas, fenômeno conhecido como ‘chuva de florada’.
Do ponto de vista agrometeorológico, uma florada antecipada não é necessariamente benéfica ou prejudicial. Seus efeitos dependem principalmente da recomposição da umidade do solo e da continuidade das chuvas nas semanas seguintes. Uma nova estiagem após a abertura floral pode provocar desuniformidade da florada e comprometer o pegamento inicial dos frutos. Por outro lado, a manutenção de condições hídricas adequadas favorece o pegamento e o desenvolvimento inicial dos frutos. Por isso, é fundamental o acompanhamento contínuo das previsões e avisos meteorológicos emitidos pelo INMET, de modo a subsidiar a tomada de decisão nas lavouras, reduzindo os riscos operacionais e otimizando o planejamento das operações de campo.

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