Nota sobre os Destaques Meteorológicos de janeiro de 2026
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O mês de janeiro foi marcado por volumes de chuvas expressivos nas regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste e temperaturas elevadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, especialmente em áreas do Amazonas, Maranhão, Tocantins, Piauí e Pará, onde as máximas ultrapassaram os 38 °C em diversos dias.
A Figura 1 ilustra os acumulados de precipitação registrados ao longo do mês de janeiro de 2025, enquanto a Tabela 1 apresenta os maiores desvios positivos e negativos em relação à normal climatológica, e a Figura 2 exibe os desvios mensais de precipitação, considerando como referência o período climatológico de 1991–2020. Observa-se que os maiores volumes de chuva concentraram-se em grande parte das regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste, enquanto parte do litoral e do interior da Região Nordeste apresentaram baixos acumulados de chuva ao longo do mês.
Na Região Norte, os maiores acumulados de precipitação concentraram-se em grande parte do Amazonas, Rondônia, Acre, sudoeste do Pará, centro-sul do Tocantins e extremo norte do Amapá, com totais mensais superiores a 200 mm (tons de azul na Figura 1). Nessas áreas, destacam-se o sudoeste do Amazonas, o centro-leste do Acre e setores do sudoeste e centro do Pará, onde foram observadas anomalias positivas superiores a 100 mm (tons em azul na Figura 2), com destaque para as estações meteorológicas de Rio Branco (AC), com 438,2 mm; Humaitá (AM), com 424,4 mm; Mina do Palito (PA), com 352,4 mm; e Boca do Acre (AM), com 351,8 mm. De modo geral, embora em janeiro a maior parte da Região Norte tenha apresentado acumulados superiores a 150 mm, os totais observados ficaram abaixo da normal climatológica em grande parte da região, com anomalias negativas de até 100 mm (tons em laranja na Figura 2). Esse comportamento evidencia a irregularidade da distribuição das chuvas ao longo do mês, com destaque para a estação de Cametá (PA), que registrou 95,4 mm, valor 70,8% abaixo da normal climatológica (Tabela 1).
Na Região Nordeste, os maiores acumulados de chuva concentraram-se no centro-oeste da Bahia, sul do Maranhão e sul do Piauí, com totais superiores a 120 mm (tons de azul na Figura 1). Entre os municípios com maiores valores registrados, destacam-se Carolina (MA), Caxias (MA) e Amargosa (BA), com 254,4 mm, 194,6 mm e 179,8 mm, respectivamente. Por outro lado, no leste do Ceará, no Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e no norte de Sergipe, predominou condição de tempo seco, com acumulados inferiores a 40 mm (tons em amarelo e laranja na Figura 1). Nessas áreas, observaram-se anomalias negativas de chuva, com volumes até 100 mm abaixo da média climatológica (tons em laranja na Figura 2). Destaca-se a estação de Turiaçu (MA), que registrou 19,5 mm valor 91,2% abaixo da média histórica para o mês (Tabela 1).
Na Região Centro-Oeste, o mês de janeiro foi caracterizado pela irregularidade das chuvas, com volumes superiores a 150 mm em grande parte da região (áreas em azul na Figura 1) e anomalias positivas de até 100 mm no leste de Goiás e no Distrito Federal (tons em azul na Figura 2). Destacam-se as estações de Rio Verde (GO), com 455,0 mm, volume 93,1% acima da média climatológica; Pirenópolis (GO), com 433,4 mm; e Goiânia (GO), com 414,8 mm. Esse cenário foi favorecido pela atuação de dois episódios da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), que resultaram em acumulados expressivos, associada à presença de uma alta anômala, a qual inibiu a passagem de frentes frias sobre a região. Por outro lado, as anomalias negativas de precipitação concentraram-se principalmente em áreas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com volumes mensais até 200 mm abaixo da média climatológica (tons em laranja e vermelho na Figura 2). Destaca-se a estação de Água Boa (MT), que registrou 40,6 mm, valor 87,6% inferior à média histórica de janeiro (Tabela 1).
Na Região Sudeste, predominaram volumes superiores a 200 mm em grande parte da região (tons em azul na Figura 1), com anomalias positivas acima de 75 mm em grande parte de Minas Gerais, Espírito Santo, litoral sul do Rio de Janeiro e litoral norte de São Paulo (tons em azul na Figura 2). A distribuição das chuvas foi influenciada pela atuação da ZCAS, que contribuiu para a ocorrência de acumulados expressivos nessas localidades. Destacam-se as estações meteorológicas de Paracatu (MG), com 575,8 mm; Três Marias (MG), com 513,4 mm, valor 165,7% acima da média climatológica; São Luiz do Paraitinga (SP), com 465,8 mm, volume 86,4% superior à média histórica de janeiro; e Linhares (ES), com 370,6 mm, total 225,9% acima da média climatológica de janeiro (Tabela 1). Por outro lado, grande parte do estado de São Paulo, norte do Rio de Janeiro, Zona da Mata e o sul de Minas Gerais apresentaram anomalias negativas de precipitação, com volumes mensais até 200 mm abaixo da média histórica (tons em laranja e vermelho na Figura 2).
Na Região Sul, os volumes de chuva ficaram acima de 120 mm em grande parte do Paraná e no litoral de Santa Catarina (tons em verde e azul na Figura 1), com anomalias positivas superiores a 50 mm em áreas pontuais do noroeste do Paraná (tons em azul na Figura 2). Destacam-se as estações meteorológicas de Morretes (PR), São Francisco de Paula (RS) e Rancho Queimado (SC), que registraram 206,6 mm, 197,9 mm e 147,6 mm, respectivamente. Por outro lado, anomalias negativas de precipitação superiores a 100 mm predominaram em grande parte da região (tons em laranja e vermelho na Figura 2). Esse padrão foi influenciado pela atuação de um sistema de alta pressão anômalo posicionado sobre as porções central e sul do país, o qual inibiu a passagem de frentes frias sobre a Região Sul, contribuindo para a redução dos volumes de chuva.
Tabela 1 – Precipitação total acumulada em janeiro de 2026 indicando os maiores desvios (positivos) nos estados do Minas Gerais (MG), Espírito Santo (ES), São Paulo (SP) e Goiás (GO), e os menores desvios (negativos) em Mato Grosso (MT), São Paulo (SP), Pará (PA) e Maranhão (MA).


Figura 1 – Mapa do acumulado de precipitação (mm) em janeiro de 2026. Tons em azul escuro indicam áreas mais chuvosas, cuja redução de volumes é representada pela gradação do azul claro, passando pelo verde escuro/claro até os tons de laranja/amarelo.

Figura 2 – Anomalias de precipitação mensal (mm) para o mês de janeiro de 2026, considerando a média climatológica do período 1991-2020.
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