Nota sobre os Destaques Meteorológicos de fevereiro de 2026
Confira os principais eventos ocorridos
O mês de fevereiro foi marcado por volumes de chuvas expressivos nas regiões Nordeste e Sudeste.
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A Figura 1 ilustra os acumulados de precipitação registrados ao longo de fevereiro de 2025, enquanto a Tabela 1 apresenta os maiores desvios (positivos e negativos) em relação à normal climatológica. A Figura 2 exibe as anomalias mensais de precipitação, considerando como referência o período climatológico de 1991–2020. Observa-se que os maiores desvios positivos de chuva concentraram-se em partes das regiões Sudeste e Nordeste, bem como em áreas do Centro-Oeste e Norte.
Na Região Norte, os maiores acumulados de chuva concentraram-se no centro do Amazonas e Sudoeste Paraense, com totais mensais superiores a 300 mm (tons de azul na Figura 1). Nessas áreas, observam-se anomalias positivas acima de 100 mm (tons em azul na Figura 2), com destaque para as estações meteorológicas de Manaus (AM), com 386,8 mm; Manacapuru (AM), com 316,8 mm, e Araguaína (TO), com 289,0 mm. O volume registrado em Manaus (AM) supera em 59,3% a média climatológica de fevereiro. Em contraste, áreas pontuais no centro-norte de Roraima apresentaram volumes inferiores a 40 mm ao longo do mês. Desvios negativos, com déficits superiores a 200 mm (tons em laranja na Figura 2), foram observados no centro-norte de Rondônia e no nordeste do Pará, evidenciando o baixo volume de chuva registrado na região durante o mês de fevereiro.
Na Região Nordeste, predominou uma alta irregularidade das chuvas. Os maiores acumulados concentraram-se no oeste da Bahia, bem como no noroeste do Maranhão e sertão da Paraíba, com totais superiores a 120,0 mm (tons de verde a azul na Figura 1). Entre os municípios com maiores volumes registrados, destacam-se São Gonçalo (PB), Caicó (RN) e São Luís (MA), com 330,2 mm, 216,0 mm e 208,2 mm, respectivamente. Por outro lado, na porção leste do Nordeste brasileiro, predominaram acumulados próximos a 40 mm (tons em verde na Figura 1). Devido à forte irregularidade pluviométrica, houve a persistência de desvios negativos, com volumes até 50 mm abaixo da climatologia (tons em laranja a vermelho na Figura 2). Destaca-se a estação de Itaberaba (MA), que registrou 7,0 mm, valor 89,9% abaixo da média histórica para o mês.
Na Região Centro-Oeste, fevereiro foi marcado pela irregularidade das chuvas. Volumes superiores a 200 mm (áreas em azul na Figura 1) foram registrados em grande parte da região, com anomalias positivas acima de 100 mm no sudoeste e na porção central de Mato Grosso (tons em azul na Figura 2). Esses acumulados estiveram associados à atuação de sistemas típicos da estação chuvosa, como a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), que se configurou em alguns períodos do mês. Soma-se a isso a presença de instabilidades associadas ao aquecimento diurno e à alta umidade, características do verão. Destacam-se as estações de Sorriso (MT), Goiás (GO) e Morrinhos (GO), que registraram totais mensais de 451,4 mm, 408,0 mm e 303,0 mm, respectivamente. Por outro lado, as anomalias negativas de precipitação concentraram-se em Goiás, bem como nas porções noroeste e sudeste do Mato Grosso, e no nordeste e sul de Mato Grosso, com volumes mensais inferiores a 100 mm (tons em laranja e vermelho na Figura 2). Destaca-se a estação de Luziânia (GO), que registrou apenas 51 mm, valor 66,8% abaixo da climatologia.
Na Região Sudeste, predominaram volumes superiores a 200 mm em grande parte da região (tons em azul na Figura 1), com anomalias positivas acima de 50 mm, especialmente na região de São José do Rio Preto (SP), no Triângulo Mineiro, Rio de Janeiro e no sul do Espírito Santo (tons em azul na Figura 2). A distribuição das chuvas foi influenciada pela atuação de frentes frias, que avançaram pelo litoral, favorecendo a formação de áreas de instabilidade, além da presença de sistemas de baixa pressão e episódios de ZCAS, que contribuíram para os acumulados expressivos em algumas localidades. Destacam-se as estações de Juiz de Fora (MG), com 752,4 mm, valor 342% acima da média climatológica, Rio de Janeiro (RJ), com 510,8 mm, e Paraty (RJ), com 536,4 mm (Tabela 1). Por outro lado, entre o leste do estado de São Paulo até a região de Presidente Prudente, noroeste do Espírito Santo, sul fluminense (RJ), Zona da Mata e o sul de Minas Gerais apresentaram desvios negativos de precipitação, com volumes mensais até 100 mm abaixo da média histórica (tons em laranja e vermelho na Figura 2). Destacam-se as estações de Mantena (MG) e São Miguel Arcanjo (SP), cujos totais mensais, 28,4 mm e 38,6 mm, estiveram 76,4% e 71,6% abaixo da média climatológica de fevereiro, respectivamente.
Em grande parte da Região Sul, os volumes de chuva foram superiores a 150 mm (tons em azul claro na Figura 1), com desvios negativos superiores a 50 mm praticamente todo a região (tons em laranja a vermelho na Figura 2). Essa configuração foi influenciada pela atuação de frentes frias, que avançaram pelo sul do país ao longo do mês, associadas a sistemas de baixa pressão. Destaca-se as estação meteorológica de Cruz Alta (RS), com 156 mm, volume 15,8% acima da média climatológica. Por outro lado, as demais localidades apresentaram desvios negativos de precipitação em fevereiro, com volumes mensais abaixo da média histórica do mês (tons em laranja na Figura 2), como se observou em Caçapava do Sul (RS), Camaquã (RS) e Canela (RS) (Tabela 1), cujos totais mensais estiveram cerca de 129,6 mm, 128,8 mm e 116,1 mm abaixo da climatologia, respectivamente.

Figura 1 – Mapa do acumulado de precipitação (mm) em fevereiro de 2026. Tons em azul escuro indicam áreas mais chuvosas, cuja redução de volumes é representada pela gradação do azul claro, passando pelo verde escuro/claro até os tons de laranja/amarelo.
Tabela 1 – Precipitação total acumulada (mm) em fevereiro de 2026 indicando os maiores desvios (positivos) nos estados de Minas Gerais (MG) e Rio de Janeiro (RJ), e os menores desvios (negativos) no Paraná (PR) e Rio Grande do Sul (RS).


Figura 2 – Anomalias de precipitação mensal (mm) para o mês de fevereiro de 2026, considerando a média climatológica do período 1991-2020.
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