Nota sobre os Destaques Meteorológicos de agosto de 2026

Confira os principais eventos ocorridos.

Publicado em 04/09/2026 16h05 . Última modificação 04/09/2026 16h45 .


O mês de agosto destacou-se pelo baixo volume de chuvas no extremo norte do Brasil e chuvas acima da média, com recordes na região Sul, devido a influência do El Niño. Prevalecendo volumes próximos da climatologia em grande parte do país. Além disso, será abordada a elevação das temperaturas em áreas que registraram valores acima da média.

A Figura 1 ilustra os acumulados de precipitação registrados ao longo de agosto de 2026, enquanto a Tabela 1 apresenta os maiores desvios (positivos e negativos) em relação à normal climatológica. Observa-se que os maiores desvios positivos de chuva se concentraram na região Sul e em áreas da região Sudeste.

Na Região Norte, os maiores acumulados de chuva concentraram-se na região metropolitana de Belém no Pará, no Sul do Amapá e em áreas no Oeste do Amazonas, com totais mensais superiores a 40 mm (tons de verde na Figura 1). Nessas áreas, observam-se anomalias positivas acima de 40 mm, com destaque para as estações meteorológicas de Belém (PA), com 164,4 mm, Macapá (AP), com 97,0 mm, e Eirunepé (AM), com 91,8 mm, associado ao canal de umidade e áreas de instabilidade. Em contraste, os estados de Roraima e Amazonas, além de áreas pontuais no Pará, apresentaram volumes inferiores a 50 mm ao longo do mês. Destaca-se a estação de Caracaraí (RR), que registrou 47,4 mm, valor 77,5% abaixo da média histórica para o mês (Tabela 1), além da estação de Manaus (AM), que registrou 2,6 mm, valor 95,4% abaixo da média histórica.

Na Região Nordeste, os maiores acumulados concentraram-se na costa do Pernambuco, com totais superiores a 150,0 mm, associado a convergência de umidade. Entre os municípios com maiores volumes registrados, destacam-se Recife (PE), Itapissuma (PE) e Aliança (PE), com 255,8 mm, 163,4 mm e 108,2 mm, respectivamente. Por outro lado, no interior da região, predominaram acumulados inferiores a 20 mm (tons de amarelo a branco na Figura 1). Destaca-se a estação de Recife (PE), que registrou 46,2% de volume pluviométrico acima da média. Por outro lado, o maior desvio negativo foi observado em Maceió (AL), com 64,0 mm abaixo da média (Tabela 1).

Na Região Centro-Oeste, volumes superiores a 40 mm (áreas em verde na Figura 1) foram registrados entre o Sudoeste e o Pantanal do Mato Grosso do Sul, com anomalias positivas nesta área. Esses acumulados estiveram associados à passagem de sistema frontal e áreas de instabilidade. Destacam-se as estações de Ponta Porã (MS), Amambai (MS) e Sidrolândia (MS), que registraram totais mensais de 98,8 mm, 80,8 mm e 61,6 mm, respectivamente. Por outro lado, as anomalias negativas de precipitação concentraram-se na porção central da região. Destaca-se a estação de Campo Grande (MS), que registrou 19,2 mm, valor 48,7% abaixo da climatologia.

Na Região Sudeste, predominaram volumes inferiores a 40 mm no interior da região (tons de amarelo a laranja na Figura 1), com anomalias positivas acima de 50 mm, próximo a costa. A distribuição das chuvas foi influenciada pela atuação de alta pressão que desfavoreceu a formação de nuvens de chuva. Porém, a passagem de sistemas frontais próximo a costa favoreceu a formação de áreas de instabilidade que contribuíram para os acumulados expressivos em algumas localidades. Destacam-se as estações de Teresópolis (RJ), com 191,0 mm (Tabela 1), Iguapé (SP), com 182,0 mm, e Barra do Turvo (SP), com 168,6 mm. Por outro lado, algumas áreas, apresentaram desvios negativos de precipitação, com volumes mensais até 40 mm abaixo da média histórica. Destacam-se as estações de São Mateus (ES) e Mantena (MG), cujos totais mensais de 30,8 mm e 10,2 mm estiveram 51,6% e 72,0% abaixo da média climatológica de agosto, respectivamente.

Na Região Sul, os volumes de chuva foram superiores a 150 mm (tons em azul na Figura 1), com desvios positivos superiores a 100 mm em algumas áreas. Essa configuração foi influenciada pela atuação da passagem de sistemas frontais que permaneceram semiestacionários por alguns dias. Os maiores volumes foram registrados em Jaguarão (RS), Bagé (RS) e Santa Vitória do Palmar (RS), que registraram totais mensais de 337,4 mm (recorde) (Tabela 1), 288,2 mm (recorde) e 258,8 mm, respectivamente. Por outro lado, houve desvio negativo de precipitação em agosto, com volume mensal abaixo da média histórica do mês, como se observou em Marechal Candido Rondon (PR), cujo total mensal esteve 48,9 mm abaixo da climatologia.

Figura 1 – Mapa do acumulado de precipitação (mm) em agosto de 2026. Tons em azul indicam áreas mais chuvosas, cuja redução de volumes é representada pela gradação do azul claro, passando pelo verde escuro/claro até os tons de laranja/amarelo.


Tabela 1 – Precipitação total acumulada (mm) em agosto de 2026 indicando os maiores desvios (positivos) nos estados do Rio Grande do Sul (RS), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP), e os menores desvios (negativos) em Roraima (RR), Alagoas (AL), Amazonas (AM) e Bahia (BA).



Confira a nota técnica completa AQUI!

Veja mais: