Nota sobre os Destaques Meteorológicos de março de 2026

Confira os principais eventos ocorridos

Publicado em 09/04/2026 09h21 . Última modificação 09/04/2026 09h44 .

O mês de março foi marcado por volumes de chuvas expressivos nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. 

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A Figura 1 ilustra os acumulados de precipitação registrados ao longo de março de 2026, enquanto a Tabela 1 apresenta os maiores desvios (positivos e negativos) em relação à normal climatológica. A Figura 2 exibe as anomalias mensais de precipitação, considerando como referência o período climatológico de 1991–2020. Observa-se que os maiores desvios positivos de chuva concentraram-se em partes das regiões Nordeste, bem como em áreas do Centro-Oeste e Sudeste.

Na Região Norte, os maiores acumulados de chuva concentraram-se no norte do Amapá e nordeste paraense, com totais mensais superiores a 600 mm (tons de azul escuro na Figura 1). Nessas áreas, observam-se anomalias positivas acima de 100 mm (tons em azul na Figura 2), com destaque para as estações meteorológicas de Belém (PA), com 603,0 mm; Cametá (AM), com 465,9 mm, e Codajás (AM), com 359,0 mm. O volume registrado em Belém (PA) supera em 129,5% a média climatológica de março. Em contraste, áreas pontuais no centro-norte de Roraima apresentaram volumes inferiores a 50 mm ao longo do mês. Desvios negativos, com déficits superiores a 100 mm (tons em laranja a vermelho na Figura 2), foram observados em algumas áreas nos estados de Rondônia, Amazonas e Pará, evidenciando o baixo volume de chuva registrado na região durante o mês de março (Figura 2). Destaca-se a estação de Lábrea (AM), que registrou 138,5 mm, valor 56,4% abaixo da média histórica para o mês

Na Região Nordeste, os maiores acumulados concentraram-se no Maranhão, com totais superiores a 150,0 mm (tons em azul na Figura 1), associados à atuação da ZCIT, que se posicionou próximo à costa, e a formação de Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN). Entre os municípios com maiores volumes registrados, destacam-se Turiaçu (MA) (Tabela 1), Guaratinga (BA) e Vitória da Conquista (BA), com 682,4 mm, 322,8 mm e 257,8 mm, respectivamente. Por outro lado, na porção leste do Nordeste brasileiro predominaram acumulados superiores a 40 mm (tons em verde na Figura 1). Devido à forte irregularidade pluviométrica, houve a persistência de desvios negativos, com volumes até 100 mm abaixo da climatologia (tons em laranja a vermelho na Figura 2). Destaca-se a estação de Ceará Mirim (RN) que registrou 60,7 mm, valor 67,0% abaixo da média histórica para o mês.

Na Região Centro-Oeste, volumes superiores a 150 mm (áreas em azul na Figura 1) foram registrados em grande parte da região, com anomalias positivas acima de 100 mm principalmente no Pantanal e centro-norte do Mato Grosso do Sul (tons em azul na Figura 2). Esses acumulados estiveram associados à atuação de sistemas típicos da estação chuvosa, como a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), que se configurou em alguns períodos do mês. Soma-se a isso a presença de instabilidades associadas ao aquecimento diurno e ao transporte de umidade vindo da Amazônia e Atlântico. Destacam-se as estações de Cassilândia (MS) (Tabela 1), Goiânia (GO) e Águas Emendadas (DF), que registraram totais mensais de 352,6,4 mm (recorde de março), 341,6 mm (recorde de março) e 307,2 mm, respectivamente. Por outro lado, as anomalias negativas de precipitação concentraram-se nas porções norte e sudeste do Mato Grosso, com volumes mensais inferiores a 100 mm (tons em laranja e vermelho na Figura 2). Destaca-se a estação de Ponta Porã (MS), que registrou apenas 22,2 mm, valor 83,6% abaixo da climatologia.

Na Região Sudeste, predominaram volumes superiores a 150 mm em grande parte da região (tons em azul na Figura 1), com anomalias positivas acima de 50 mm, especialmente na região de Jequitinhonha, norte e oeste de Minas Gerais, porção leste do estado de São Paulo e noroeste do Espírito Santo (tons em azul na Figura 2). A distribuição das chuvas foi influenciada pela atuação de vórtices na costa, favorecendo a formação de áreas de instabilidade, além da presença de sistemas de baixa pressão, episódios de ZCAS e VCAN, que contribuíram para os acumulados expressivos em algumas localidades. Destacam-se as estações de Pirapora (MG), com 337,0 mm (Tabela 1), Teresópolis (RJ), com 334,6 mm, e Araxá (MG), com 316,0. Por outro lado, áreas como o Triângulo Mineiro e sudeste de Minas Gerais, porção sul do Rio de Janeiro e costa leste de São Paulo, apresentaram desvios negativos de precipitação, com volumes mensais até 100 mm abaixo da média histórica (tons em laranja e vermelho na Figura 2). Destacam-se as estações de São Miguel Arcanjo (SP) e Arraial do Cabo (RJ), cujos totais mensais de 10,8 mm e 46,4 mm, estiveram 92,2% e 54,2% abaixo da média climatológica de março, respectivamente.

Em grande parte da Região Sul, os volumes de chuva foram superiores a 50 mm (tons em verde na Figura 1), com desvios negativos superiores a 50 mm praticamente em toda a região (tons em laranja a vermelho na Figura 2). Essa configuração foi influenciada pela atuação da alta anômala que desfavoreceu o acumulado de chuvas, apesar da ocorrência de frentes frias que avançaram pelo sul do país ao longo do mês, associadas a sistemas de baixa pressão. Destaca-se a estação meteorológica de Maringá (PR), com 187,4 mm, volume 21,3% acima da média climatológica. Por outro lado, a maioria das localidades apresentou desvios negativos de precipitação em março, com volumes mensais abaixo da média histórica do mês (tons em laranja na Figura 2), como se observou em Curitiba (PR), Marechal Cândido Rondon (PR) e Santa Maria (RS), cujos totais mensais estiveram cerca de 113,4 mm, 59,0 mm e 64,4 mm abaixo da climatologia, respectivamente (Tabela 1).

Figura 1 – Mapa do acumulado de precipitação (mm) em março de 2026. Tons em azul escuro indicam áreas mais chuvosas, cuja redução de volumes é representada pela gradação do azul claro, passando pelo verde escuro/claro até os tons de laranja/amarelo.

Tabela 1 – Precipitação total acumulada (mm) em março de 2026 indicando os maiores desvios (positivos) nos estados do Maranhão (MA) e Mato Grosso do Sul (MS), e os menores desvios (negativos) no Amazonas (AM) e Pará (PA).


Figura 2 – Anomalias de precipitação mensal (mm) para o mês de março de 2026, considerando a média climatológica do período 1991-2020.

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