Nota sobre os Destaques Meteorológicos de julho de 2026

Confira os principais eventos ocorridos.

Publicado em 17/08/2026 11h16 . Última modificação 18/08/2026 16h34 .

O mês de julho destacou-se pelo baixo volume de chuvas no extremo norte do Brasil e chuvas acima da média na região Sul. Prevalecendo volumes próximos da climatologia em grande parte do país. Além disso, será abordada a elevação das temperaturas em áreas que registraram valores acima da média.

A Figura 1 ilustra os acumulados de precipitação registrados ao longo de julho de 2026, enquanto a Tabela 1 apresenta os maiores desvios (positivos e negativos) em relação à normal climatológica. Observa-se que os maiores desvios positivos de chuva se concentraram na região Sul e parte da costa leste do Nordeste Brasileiro.

Na Região Norte, os maiores acumulados de chuva concentraram-se no Norte do Amapá e no Sul e Baixo Amazonas, com totais mensais superiores a 150 mm (tons de azul na Figura 1). Nessas áreas, observam-se anomalias positivas acima de 100 mm, com destaque para as estações meteorológicas do Macapá (AP), com 289,0 mm, Capitão Poço (PA), com 154,2 mm, e Belém (AM), com 129,2 mm, associado ao canal de umidade e áreas de instabilidade. Em contraste, os estados do Tocantins e Rondônia, além de áreas pontuais no Amazonas e Pará, apresentaram volumes inferiores a 50 mm ao longo do mês. Desvios negativos, com déficits superiores a 100 mm, foram observados no estado de Roraima, evidenciando o baixo volume de chuva registrado na região durante o mês de julho. Destaca-se a estação de Caracaraí (RR), que registrou 128,6 mm, valor 59,6% abaixo da média histórica para o mês.

Na Região Nordeste, os maiores acumulados concentraram-se na costa do Rio Grande do Norte, com totais superiores a 200,0 mm (tons em azul na Figura 1), associado a convergência de umidade. Entre os municípios com maiores volumes registrados, destacam-se Natal (RN) (Tabela 1), Recife (PE) e Areia (PB), com 437,2 mm, 217,6 mm e 120,4 mm, respectivamente. Por outro lado, no interior da região, predominaram acumulados inferiores a 40 mm (tons em laranja na Figura 1). Devido aos eventos fortes de chuva na costa leste, desvios positivos foram observados em várias localidades, com volumes superiores a 100 mm acima da climatologia. Destaca-se a estação de Natal (RN), que registrou 89,0% de volume pluviométrico acima da média. Por outro lado, o maior desvio negativo foi observado em Maceió (PE), com 182,8 mm abaixo da média (Tabela 1).

Na Região Centro-Oeste, volumes superiores a 40 mm (áreas em verde na Figura 1) foram registrados entre o Leste e Sudoeste do Mato Grosso do Sul, com anomalias positivas nesta área. Esses acumulados estiveram associados à passagem de sistema frontal. Destacam-se as estações de Bataguassu (MS), Dourados (MS) e Nhumirim (MS), que registraram totais mensais de 40,6 mm, 39,8 mm e 35,2 mm, respectivamente. Por outro lado, as anomalias negativas de precipitação concentraram-se na porção central da região. Destaca-se a estação de Ponta Porã (MS), que registrou 19,2 mm, valor 71,4% abaixo da climatologia.

Na Região Sudeste, predominaram volumes inferiores a 40 mm em grande parte da região (tons de amarelo a laranja na Figura 1), com anomalias positivas acima de 50 mm, especialmente no estado de São Paulo. A distribuição das chuvas foi influenciada pela atuação de alta pressão que desfavoreceu a formação de nuvens de chuva. Porém, a passagem de um sistema frontal favoreceu a formação de áreas de instabilidade que contribuíram para os acumulados expressivos em algumas localidades. Destacam-se as estações de Marília (SP), com 109,2 mm, Rancharia (SP), com 135,6 mm, e São Simão (SP), com 67,2 mm, este sendo o recorde do mês. Por outro lado, algumas áreas de São Paulo, apresentaram desvios negativos de precipitação, com volumes mensais até 60 mm abaixo da média histórica. Destacam-se as estações de Itapeva (SP) e Iguape (SP), cujos totais mensais de 12,2 mm e 58,4 mm estiveram 85,2% e 51,6% abaixo da média climatológica de julho, respectivamente.

Na Região Sul, os volumes de chuva foram superiores a 150 mm (tons em azul na Figura 1), com desvios positivos superiores a 50 mm em algumas áreas. Essa configuração foi influenciada pela atuação da passagem de sistemas frontais. Os maiores volumes foram registrados em Chapecó (SC), São Francisco de Paula (RS) e Lages (SC), que registraram totais mensais de 333,0 mm (recorde), 329,1 mm e 312,8 mm (recorde), respectivamente. Destaca-se a estação meteorológica de Dois Vizinhos (PR), com 216,8 mm, volume 78,7% acima da média climatológica. Por outro lado, houve desvio negativo de precipitação em julho, com volume mensal abaixo da média histórica do mês, como se observou em Maringá (PR), cujo total mensal esteve 47,4 mm abaixo da climatologia.

Figura 1 – Mapa do acumulado de precipitação (mm) em julho de 2026. Tons em azul indicam áreas mais chuvosas, cuja redução de volumes é representada pela gradação do azul claro, passando pelo verde escuro/claro até os tons de laranja/amarelo.

Tabela 1 – Precipitação total acumulada (mm) em julho de 2026 indicando os maiores desvios (positivos) nos estados do Rio Grande do Norte (RN), Paraná (PR) e Rio Grande do Sul (RS), e os menores desvios (negativos) em Roraima (RR), Alagoas (AL) e Ceará (CE).

Nota: % Chuva em relação à climatologia = (Chuva observada - Chuva climatológica) * 100 / Chuva climatológica.

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