Nota sobre os Destaques Meteorológicos de dezembro de 2025
Confira os principais eventos ocorridos em dezembro
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O período foi marcado por volumes expressivos de chuva nas regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, além da elevação das temperaturas em áreas que registraram valores acima da média histórica.
A Figura 1 ilustra os acumulados de precipitação registrados ao longo do mês de dezembro de 2025, a Tabela 1 apresenta os maiores desvios positivos e negativos em relação à normal climatológica, e a Figura 2 exibe as anomalias mensais de precipitação, considerando como referência o período climatológico de 1991–2020. Observa-se que os maiores volumes de chuva concentraram-se em grande parte das regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, enquanto extensas áreas do litoral e do interior da Região Nordeste apresentaram baixos acumulados de chuva ao longo do mês.
Na Região Norte, os maiores acumulados de chuva concentraram-se no sudoeste e centro do Amazonas, Acre, norte do Amapá, nas porções oeste e sul do Pará, além de áreas de Rondônia e do Tocantins, com totais mensais superiores a 200 mm (tons de azul na Figura 1). Nessas áreas, destacam-se o Baixo Amazonas, o sul do Pará, o sudoeste do Amazonas e o extremo leste do Acre, onde foram observadas anomalias positivas superiores a 75 mm (tons em azul na Figura 2), com destaque para as estações meteorológicas de Rio Branco (AC), com 543,4 mm; Boca do Acre (AM), com 465,2 mm; Santa Fé do Araguaia (TO), com 427,0 mm; Manaus (AM), com 418,6 mm, valor 65% acima da média climatológica; e Belterra (PA), com 238,0 mm, correspondente a um aumento de 167,1% em relação à média histórica de dezembro (Tabela 1). Em contraste, áreas pontuais do norte de Roraima apresentaram volumes inferiores a 40 mm ao longo do mês, associados a anomalias negativas de até 75 mm (tons em laranja na Figura 2), evidenciando a irregularidade da distribuição das chuvas na região.
Na Região Nordeste, os maiores acumulados de chuva concentraram-se no extremo oeste da Bahia, bem como no sul do Maranhão e do Piauí, com totais superiores a 120 mm (tons de azul na Figura 1). Entre os municípios com maiores acumulados registrados, destacam-se Carolina (MA), Balsas (MA) e Caxias (MA), com 320,0 mm, 263,4 mm e 124,2 mm, respectivamente. Por outro lado, no leste do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e nordeste da Bahia predominou condição de tempo seco, com acumulados inferiores a 40 mm (tons em amarelo e laranja na Figura 1). Nessas áreas, observaram-se anomalias negativas de chuva, com volumes até 100 mm abaixo da média climatológica (tons em laranja na Figura 2). Destaca-se a estação de Zé Doca (MA), que registrou 25,0 mm, valor 76,5% abaixo da média histórica para o mês (Tabela 1).
Na Região Centro-Oeste, dezembro foi marcado pela regularidade das chuvas, com volumes superiores a 150 mm em grande parte da região (áreas em azul na Figura 1) e anomalias positivas superiores a 50 mm no sul do Mato Grosso do Sul e no nordeste e centro-sul do Mato Grosso (tons em azul na Figura 2). Essa regularidade foi favorecida pela atuação de sistemas típicos da estação chuvosa, como a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), que se configurou em alguns períodos do mês, além da presença de instabilidades associadas ao aquecimento diurno e à alta umidade, características do verão. Destacam-se as estações de Cotriguaçu (MT), Paranoá (DF) e Diamantino (MT), que registraram totais mensais de 422,0 mm, 393,6 mm e 337,1 mm, respectivamente. Por outro lado, as anomalias negativas de precipitação concentraram-se em Goiás e nas porções oeste e nordeste do Mato Grosso, com volumes mensais até 200 mm abaixo da média (tons em laranja e vermelho na Figura 2). Destaca-se a estação de Água Boa (MT), que registrou apenas 16,4 mm, valor 92,8% abaixo da média histórica de dezembro (Tabela 1).
Na Região Sudeste, predominaram volumes superiores a 150 mm em grande parte da região (tons em azul na Figura 1), com anomalias positivas acima de 50 mm, especialmente no centro-oeste de São Paulo, no noroeste e em parte do Triângulo Mineiro (tons em azul na Figura 2). A distribuição das chuvas foi influenciada pela atuação de frentes frias, que avançaram pelo litoral, favorecendo a formação de áreas de instabilidade, além da presença de sistemas de baixa pressão e episódios de ZCAS, que contribuíram para os acumulados expressivos em algumas localidades. Destacam-se as estações de Avaré (SP), com 388,0 mm, valor 141% acima da média climatológica, Patos de Minas (MG), com 375,6 mm, e Marília (SP), com 357,4 mm. Por outro lado, o leste de São Paulo, o centro-sul do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Zona da Mata e o sul de Minas Gerais apresentaram anomalias negativas de precipitação, com volumes mensais até 100 mm abaixo da média histórica (tons em laranja e vermelho na Figura 2). Destacam-se as estações de Mantena (MG) e Iguapé (SP), cujos totais mensais, 25,4 mm e 81,2 mm, estiveram 88,1% e 62% abaixo da média climatológica de dezembro, respectivamente (Tabela 1).
Em grande parte da Região Sul, os volumes de chuva foram superiores a 150 mm (tons em azul na Figura 1), com anomalias positivas acima de 50 mm nas porções noroeste e oeste do Paraná e no centro-sul do Rio Grande do Sul (tons em azul na Figura 2). Essa configuração foi influenciada pela atuação de frentes frias, que avançaram pelo sul do país ao longo do mês, associadas a sistemas de baixa pressão e à formação de ciclones extratropicais em áreas oceânicas próximas, os quais intensificaram as chuvas na região. Destacam-se as estações meteorológicas de Canguçu (RS), com 356,4 mm, volume 215,7% acima da média climatológica (Tabela 1), Camaquã (RS), com 334,4 mm, Dionísio Cerqueira (SC), com 301,2 mm e Maringá (PR), com 230,0 mm. Por outro lado, o centro-leste do Paraná e Santa Catarina apresentaram anomalias negativas de precipitação em dezembro, com volumes mensais até 75 mm abaixo da média histórica do mês (tons em laranja na Figura 2).
Tabela 1 – Precipitação total acumulada em dezembro de 2025 indicando os maiores desvios (positivos) nos estados do Rio Grande do Sul (RS), São Paulo (SP), Amazonas (AM) e Pará (PA), e os menores desvios (negativos) em Mato Grosso (MT), Minas Gerais (MG), São Paulo (SP) e Maranhão (MA).

Nota: % Chuva em relação à climatologia = (Chuva observada - Chuva climatológica) * 100 / Chuva climatológica

Figura 1 – Mapa do acumulado de precipitação (mm) em dezembro de 2025. Tons em azul escuro indicam áreas mais chuvosas, cuja redução de volumes é representada pela gradação do azul claro, passando pelo verde escuro/claro até os tons de laranja/amarelo.

Figura 2 – Anomalias de precipitação mensal (mm) para o mês de dezembro de 2025, considerando a média climatológica do período 1991-2020.
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