Junho: como será o clima no Brasil?

Prognóstico indica chuva acima da média em áreas das regiões Norte, Nordeste e Sul e temperaturas acima da média em grande parte do país

Publicado em 29/05/2026 09h56 . Última modificação 29/05/2026 16h58 .

Para o mês de junho de 2026, a previsão climática do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) indica chuva acima da média em áreas das regiões Norte, Nordeste e Sul (tons em azul na Figura 1a). Por outro lado, a previsão é de chuva abaixo da média histórica de maio em áreas das regiões Sudeste, Sul e Norte (tons em amarelo na Figura 1a). As temperaturas devem ficar acima da média em grande parte do país, principalmente na porção central (tons em amarelo e laranja na Figura 1b).

Chuva

Para a Região Norte, são previstos totais de chuva acima da média em praticamente todo o Pará, sudoeste e centro-leste do Amazonas, centro-sul de Roraima e em todo o Amapá (tons em azul na Figura 1a). Por outro lado, são previstos volumes abaixo da média em todo o estado de Roraima e extremo noroeste do Pará (tons em amarelo na Figura 1a).

Em relação à Região Nordeste, é prevista chuva acima da média no norte do Maranhão e Piauí, e em grande parte dos estados de Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas (tons em azul na Figura 1a). Nas demais áreas da região, a previsão indica volumes de chuva próximos à climatologia.

Para a Região Centro-Oeste, a previsão indica chuva abaixo da média em uma estreita área do sudoeste do Mato Grosso do Sul, enquanto o restante da região indica totais de chuva próximos à média histórica do mês.

Para a Região Sudeste, o prognóstico indica volumes abaixo da média no sul de Minas Gerais e em grande parte de São Paulo. Nas demais áreas da região, são previstos volumes próximos à média histórica.

Em relação à Região Sul, a previsão indica chuva acima da média em praticamente todo o Rio Grande do Sul. De outro modo, para praticamente todo o Paraná e o nordeste de Santa Catarina são previstos volumes na faixa normal ou abaixo da média.

Temperatura

Para a Região Norte, a previsão indica predomínio de temperaturas acima da média de junho (com previsão de desvios positivos de 1,0 °C, aproximadamente). Exceções ocorrem no extremo noroeste do Pará, centro-sul de Roraima e centro-norte de Rondônia, onde são previstas temperaturas próximas à média climatológica do mês.

Na Região Nordeste, a previsão indica temperaturas até 1,0 °C acima da média em grande parte do MATOPIBA e nos estados de Pernambuco, Alagoas e Sergipe. De outro modo, nos estados do Ceará e Rio Grande do Norte predominam temperaturas próximas à média histórica do mês.

Na Região Centro-Oeste, o prognóstico indica temperaturas médias até 1 °C acima da climatologia do mês em todos os estados. Além disso, para áreas como o leste de Goiás, noroeste e sudoeste do Mato Grosso e grande parte do Mato Grosso do Sul, são previstos desvios de até 1,5 °C em relação à média histórica de junho.

Para a Região Sudeste, a previsão indica temperaturas acima da média em todos os estados. Em áreas como o norte de Minas Gerais e o oeste de São Paulo, são previstos desvios de até 1,5 °C em relação à média do mês.

Na Região Sul, a previsão é de temperaturas até 1 °C acima da média em todos os estados, enquanto áreas como o norte do Paraná e o extremo oeste de Santa Catarina podem ter desvios de até 1,5 °C em relação à média de junho.

Figura 1: Previsão de desvios de (a) precipitação (mm) e (b) temperatura média do ar (°C) do modelo climático do INMET para o mês de junho de 2026.

Possíveis impactos nas culturas agrícolas

Na Região Norte, a previsão de volumes de chuva próximos ou acima da média em grande parte da região, associada a temperaturas do ar acima da média, deve continuar favorecendo a manutenção da disponibilidade hídrica, especialmente em áreas do nordeste do Pará, Amapá e sul do Amazonas. Esse cenário tende a beneficiar as lavouras de milho segunda safra que ainda se encontram em fase de enchimento de grãos, sustentando o potencial produtivo das lavouras mais tardias. Por outro lado, para as lavouras em fase de colheita, o excesso de umidade favorece o aumento da pressão de doenças fúngicas, eleva a umidade dos grãos, dificulta o tráfego de máquinas e aumenta o risco de perdas por acamamento. No sudeste do Pará e no Tocantins, a previsão de precipitação próxima da média, associada a temperaturas acima da média, tende a favorecer as operações de colheita do milho segunda safra, contribuindo para a secagem natural dos grãos. Contudo, em áreas do norte de Roraima, a associação de chuvas abaixo da média com temperaturas acima da média tende a elevar a evapotranspiração, podendo afetar as lavouras de soja e milho recém implantadas e causar falhas na germinação, especialmente em solos com menor capacidade de retenção de água.

Na Região Nordeste, a previsão indica chuvas dentro ou acima da média e temperaturas acima da média em grande parte da região. No noroeste do Maranhão a previsão de chuvas acima da média, tende a contribuir para o desenvolvimento das lavouras de milho segunda safra ainda em estádios vegetativos. Na na região do SEALBA, este cenário deve favorecer o avanço da semeadura do feijão e do milho terceira safra. A manutenção da umidade do solo na faixa litorânea também deve beneficiar a fruticultura, reduzindo a demanda por irrigação e os custos operacionais. No interior da região, especialmente no MATOPIBA, a previsão de chuvas próximas à média, associadas às temperaturas mais elevadas aumenta a demanda evapotranspirativa, representando risco adicional para as lavouras de milho segunda safra semeadas mais tardiamente, que ainda se encontram em enchimento de grãos, bem como uma possível redução do potencial produtivo. Para as pastagens cultivadas na região, a entrada no período seco associada às temperaturas mais elevadas tende a reduzir o crescimento das forrageiras e pode agravar a perda de qualidade da forragem, antecipando a necessidade de suplementação do rebanho.

Na Região Centro-Oeste, a previsão de baixos acumulados de chuva associados às temperaturas mais elevadas, em grande parte das áreas, tende a reduzir os níveis de umidade do solo ao longo do período, podendo resultar em condições de déficit hídrico. A implantação das culturas de segunda safra foi atrasada devido às chuvas mais frequentes em janeiro e fevereiro, elevando o risco de perdas devido a baixos acumulados em junho, onde principalmente a cultura do milho estará em período crítico nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Na pecuária, a diminuição progressiva da umidade do solo tende a reduzir o vigor das pastagens, impactando a taxa de crescimento das forrageiras e a disponibilidade de alimento para os rebanhos.

Na Região Sudeste, a previsão de altas temperaturas tende a favorecer a perda de água do solo e transpiração das plantas, causando maior evapotranspiração, no qual a saída de água do sistema é maior que a entrada de água por meio das chuvas previstas, elevando o risco de deficiência hídrica das culturas. Esse cenário deverá impactar a fase final de cultivo das culturas de segunda safra, principalmente a do milho, que assim como a região Centro-Oeste atrasou a semeadura devido à dificuldade na condição ideal do solo para a atividade. As culturas de citrus, em sua maioria em fase de desenvolvimento e enchimento de frutos, podem ter redução do crescimento de frutos, devido ao início do período seco, bem como a elevação das temperaturas. Já as culturas de hortifruti, devem ter um crescimento mais acelerado, diante deste cenário.

Na Região Sul, a previsão de chuva e temperatura acima da média, preocupa áreas de lavouras de milho no estado do Paraná, principalmente ao norte do estado, onde a semeadura foi mais tardia, o que faz com que o período crítico da cultura seja concentrado no final de maio e junho. Em relação as demais áreas as condições previstas devem favorecer a semeadura e desenvolvimento das principais culturas de inverno como trigo, aveia entre outras. Maior parte do Rio Grande do Sul, a previsão é de chuvas acima do normal, onde associadas a temperaturas acima da média, favorece maior disponibilidade hídrica do solo. Tais condições, favorecem o rápido desenvolvimento das culturas. Contudo, a ocorrência de elevados acumulados de chuva, associada as condições de maior nebulosidade, desfavorece a prática de manejo em áreas de cultivo de arroz irrigado, principalmente na metade sul do Rio Grande do Sul, cuja semeadura ocorre predominantemente durante a primavera.

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