Julho: como será o clima no Brasil?

A previsão é de chuva acima da média em grande parte da Região Sul

Publicado em 01/07/2026 10h35 . Última modificação 01/07/2026 14h10 .



Para o mês de julho de 2026, a previsão climática do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) indica chuva acima da média em áreas das regiões Sul e Norte (tons em azul na Figura 1a). Por outro lado, a previsão é de chuva abaixo da média histórica de julho em áreas das regiões Norte, Nordeste e Sudeste (tons em amarelo na Figura 1a). As temperaturas devem ficar acima da média em grande parte do país, principalmente na porção centro-norte (tons em amarelo e laranja na Figura 1b).

Chuva

Para a Região Norte, são previstos totais de chuva acima da média apenas no Amapá e no noroeste do Pará (tons em azul na Figura 1a). Por outro lado, são previstos volumes abaixo da média em praticamente todo o Amazonas e extremo norte de Roraima (tons em amarelo na Figura 1a).

Em relação à Região Nordeste, é prevista chuva abaixo da média na costa litorânea do extremo sul da Bahia e áreas do centro e nordeste de Pernambuco, leste da Paraíba e Rio Grande do Norte (tons em amarelo na Figura 1a). Para as demais áreas, são previstos volumes próximos à climatologia.

Para a Região Centro-Oeste, a previsão indica predominantemente volumes próximos à média histórica de julho, exceto no centro-norte do Mato Grosso do Sul, onde é prevista chuva abaixo da média.

Para a Região Sudeste, o prognóstico indica volumes abaixo da média em todo o Espírito Santo. De outro modo, para o extremo sul de São Paulo são previstos volumes até 50 mm acima da média de julho, enquanto as demais áreas devem registrar totais de chuva próximos à climatologia.

Em relação à Região Sul, a previsão indica chuva acima da média em grande parte do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, bem como no sudeste do Paraná. Em contraste, é prevista chuva abaixo da média no norte do Paraná, enquanto para as demais áreas do Sul são previstos volumes próximos à climatologia de julho.

Temperatura

Para a Região Norte, a previsão indica predomínio de temperaturas acima da média de julho, com previsão de desvios positivos de 1,0 °C, aproximadamente. Outras áreas, como o centro-norte do Pará e grande parte do Acre e Tocantins, podem registrar desvios de temperatura mais intensos, com anomalias acima de 1,5 °C no interior do Pará.

Na Região Nordeste, a previsão indica desvios de temperatura superando 1,0 °C em relação à média em grande parte do Maranhão e centro-sul do Piauí. Nas demais áreas da região, predominam temperaturas até 1 ºC acima da média, aproximadamente.

Na Região Centro-Oeste, os maiores desvios positivos (com temperaturas superando 2 °C em relação à média de julho) são previstos no noroeste e sudoeste do Mato Grosso, enquanto para o restante da região são previstas temperaturas até 1,5 °C acima da média.

Para a Região Sudeste, a previsão indica predominantemente temperaturas até 1 °C acima da média, com aquecimento mais pronunciado no oeste de Minas Gerais, onde os valores podem superar 1,5 °C em relação à média de julho.

Na Região Sul, a previsão é de temperaturas acima da média no centro-oeste do Paraná e grande parte de Santa Catarina. Para o Rio Grande do Sul, predominam temperaturas próximas à climatologia, exceto no centro-oeste do estado, onde são previstas temperaturas até 1 °C acima da média histórica de julho.

Figura 1: Previsão de desvios de (a) precipitação (mm) e (b) temperatura média do ar (°C) do modelo climático do INMET para o mês de julho de 2026.


Possíveis impactos nas culturas agrícolas

Na Região Norte, a previsão de volumes de chuva próximos da média climatológica na maior parte da região, associada a temperaturas do ar acima da média histórica, tende a favorecer o avanço e a finalização da colheita do milho e feijão segundas safras. Esse cenário, especialmente no sudeste do Pará e no Tocantins, favorece a redução da umidade dos grãos e a amplia as janelas operacionais para a colheita, contribuindo para a preservação da qualidade dos grãos. Por outro lado, no norte de Roraima e em grande parte do Amazonas, a previsão de chuvas ligeiramente abaixo da média climatológica, associada a temperaturas mais elevadas, tende a elevar a demanda evaporativa da atmosfera. Como consequência, poderá ocorrer redução do armazenamento de água no solo, afetando culturas em desenvolvimento, pastagens e sistemas produtivos mais dependentes das precipitações, além de aumentar o risco de ocorrência de focos de calor.

Na Região Nordeste, a previsão para julho indica chuvas dentro da média climatológica e temperaturas acima da média histórica. Esse cenário tende a favorecer a cultura do algodão, que se encontra majoritariamente em fase final de ciclo no oeste da Bahia e em áreas do semiárido. As temperaturas mais elevadas favorecem a abertura dos capulhos, reduzem a incidência de doenças associadas ao excesso de umidade e ampliam as janelas operacionais de colheita. Por outro lado, as lavouras de feijão terceira safra, concentradas no leste da região, em fase reprodutiva exigem maior atenção, pois as temperaturas acima da média tendem a elevar a demanda hídrica das plantas e aumentar o risco de estresse térmico, podendo comprometer o florescimento, o pegamento de vagens e o enchimento de grãos.

Na Região Centro-Oeste, a previsão de chuvas dentro da média climatológica, associada à ocorrência de temperaturas acima da média histórica em grande parte da região, tende a favorecer a redução dos níveis de armazenamento de água no solo ao longo do período, podendo resultar em condições de déficit hídrico mais acentuadas, principalmente nos estados de Mato Grosso e Goiás. Durante o mês de julho, grande parte das lavouras de milho segunda safra e algodão, encontra-se em fase final do ciclo produtivo. Nesse contexto, as condições de tempo mais seco tendem a favorecer os processos de maturação e as operações de colheita, reduzindo perdas operacionais associadas ao excesso de umidade. Por outro lado, para as culturas irrigadas, como o trigo e feijão, temperaturas mais elevadas podem aumentar a demanda hídrica e exigir maior atenção ao manejo da irrigação, especialmente durante fases críticas do desenvolvimento, como florescimento e enchimento dos grãos.

Na Região Sudeste, as chuvas previstas tendem a permanecer dentro da média climatológica na maior parte da região, com exceção do Espírito Santo, onde os volumes deverão ficar abaixo da média, e do extremo sul de São Paulo, onde são previstos acumulados acima do normal. Associadas às temperaturas acima da média em toda região, essas condições tendem a aumentar a evapotranspiração e a demanda hídrica das culturas. Cultivos como o café, frutíferas e hortaliças, poderão demandar maior atenção ao manejo hídrico, principalmente em áreas com baixa disponibilidade de água no solo. Em áreas irrigadas, as condições de elevada radiação solar favorecem o desenvolvimento das culturas, com destaque para o feijão cultivado em Minas Gerais. Nesses sistemas, torna-se importante o monitoramento da irrigação para garantir o suprimento adequado de água para às plantas.

Na Região Sul, a previsão indica volumes de chuva próximos ou acima da média climatológica em grande parte da região para o mês de julho. Em relação à temperatura do ar, os maiores valores são previstos para o Paraná e Santa Catarina. Esse cenário tende a favorecer o desenvolvimento das culturas de inverno devido á adequada disponibilidade hídrica. No entanto, a combinação entre maior frequência de chuvas, elevada umidade do ar e temperaturas mais elevadas aumenta a favorabilidade para a ocorrência de doenças fúngicas, exigindo atenção ao monitoramento fitossanitário e às medidas de controle. Por outro lado, as temperaturas acima da média reduzem a probabilidade de ocorrência de geadas intensas, diminuindo os riscos para culturas em fases mais sensíveis, como florescimento e enchimento de grãos, no Paraná e Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, onde as temperaturas tendem a permanecer dentro da média climatológica em grande parte do estado, exceto na região central, as condições continuam favoráveis ao desenvolvimento das culturas de inverno e pastagens.

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