Mato Grosso do Sul e São Paulo voltam a registrar nuvem de poeira nesta quinta-feira (14) e sexta-feira (15).

O episódio é similar ao que ocorreu no dia 26 de setembro, porém com menor intensidade pelas recentes chuvas registradas nos estados.

Por Maisa Pereira de Souza - publicado 15/10/2021 15h27 . Última modificação 25/10/2021 09h18 .


O fenômeno foi registrado  hoje (15) em Dourados e Campo Grande no Mato Grosso do Sul e por moradores da região de Ribeirão Preto, Batatais, São Joaquim da Barra, Pitangueiras, Brodowski, Colômbia, Barretos, Pirassununga, Jardinópolis, Sertãozinho e Serrana em São Paulo.

As maiores rajadas de vento no Mato Grosso do Sul hoje (15) foram: 145 km/h em Corumbá, 110 km/h em Rio Brilhante e 102 km/h em Campo Grande. Já no episódio de ontem (14) em São Paulo, as maiores rajadas de vento foram de 75 km/h em Ribeirão Preto (SP) e Pradópolis (SP), 61 km/h em Bragança Paulista (SP) e 59 km/h em Jales (SP).

Esses eventos são similares ao que ocorreu no dia 26 de setembro em São Paulo e partes da faixa central do Brasil. Porém, dessa vez, com menor intensidade por já ter tido ocorrência de chuva nos estados, o que fez com que a nuvem tivesse um caráter mais esparso.

O que causa tempestades de poeira?

A Tempestade de poeira (ou nuvem de poeira) é resultado de alguns fatores:

  • Período seco com estiagem prolongada;
  • Baixa cobertura vegetal;
  • Solo nu na região que já se prepara para o plantio que começa na Primavera;
  • Temperaturas elevadas;
  • Aproximação de uma tempestade, nesse caso no estado de São Paulo, com ventos muito fortes, favorecendo a suspensão das partículas na superfície do solo.

Com a chegada da Primavera, logo após um longo período de estiagem, ocorrem as primeiras tempestades. Como a chuva nesse período ainda não é regular o suficiente para amenizar a condição do solo, esse fenômeno se torna comum.

Quando a chuva chega, os ventos aceleram (formando uma corrente descendente ou frente de rajada) e ao encontrar uma área mais quente, seca e com muita poeira, formam a nuvem.

Previsão para os próximos Dias

A previsão para o final de semana em São Paulo e no Mato Grosso do Sul é de pancadas de chuvas isoladas, com menor potencial de ocorrência de ventos fortes. Isso dificulta um novo episódio de tempestade de poeira, já que o evento depende muito da condição do solo; com a chuva de ontem (14) e hoje (15), esse solo está mais encharcado e pesado.

As chuvas no estado de São Paulo e Mato Grosso do Sul ainda não estão regulares, ou seja, mesmo com as chuvas que ocorreram nos últimos dias, o volume ainda é insuficiente para melhorar a qualidade do solo.

Ainda podem ocorrer novos fenômenos desse tipo durante a primavera, mas, com a maior constância das chuvas, a probabilidade de outra ocorrência diminui, principalmente em áreas com chuva fraca.


Tendência de temperatura na Região Sudeste

Temperaturas cada vez mais altas têm sido registradas durante a primavera desde 1961 até o momento. De 1961 a 2020 a temperatura subiu 1,35 °C na Região Sudeste.

A tendência é de elevação de temperatura em todo o Brasil, especificamente na região Sudeste, incluindo São Paulo.

Isso é importante pois temperaturas mais elevadas também favorecem a formação desses fenômenos. Portanto, é necessário se preparar para a possibilidade de novas nuvens de poeira no próximo ano.




Desvio anual das temperaturas durante a Primavera (1961 – 2020). Linha tracejada em preto indica tendência da temperatura (elevação). Barras em vermelho indicam anos com temperaturas acima da média. Barras em azul indicam anos com temperaturas abaixo da média.

Confira abaixo o que pode formar uma nuvem de poeira.







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