Despedida: Antônio Divino Moura deixa um legado inestimável

Divino Moura teve uma trajetória marcada por contribuições decisivas ao fortalecimento da meteorologia no Brasil e à consolidação do INMET como referência nacional e internacional

Publicado em 17/04/2026 08h10 . Última modificação 17/04/2026 10h47 .

Antônio Divino Moura nasceu em Ituiutaba (MG), em 21 de julho de 1945, e faleceu em 16 de abril de 2026. Graduou-se em Engenharia Elétrica, em 1969, pela Escola de Engenharia da UFMG e, em 1974, obteve o título de PhD no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, onde recebeu o Prêmio Carl Gustav Rossby por sua tese, considerada a mais proeminente do ano na área de Meteorologia.

Divino Moura teve uma trajetória marcada por contribuições decisivas ao fortalecimento da meteorologia no Brasil. Construiu sólida carreira no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), onde atuou de 1970 a 1996 como Diretor de Meteorologia e Pesquisador Sênior, exercendo papel relevante na pesquisa e na pós-graduação em Meteorologia e Oceanografia Física.

À frente do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), especialmente no período de 2003 a 2016 — além de sua atuação como Diretor Geral em 1985 —, liderou um amplo processo de modernização, promovendo avanços estruturais, tecnológicos e científicos. Durante sua gestão, destacou-se pela modernização e expansão da rede de estações meteorológicas automáticas, pela ampliação da capacidade computacional — que viabilizou o uso de modelos numéricos mais avançados — e pela implantação de sistemas modernos de recepção e processamento de dados de satélites. Também foi responsável pela criação do Centro de Dados Climáticos, iniciativa fundamental para a preservação e organização da memória meteorológica do país. Ainda coordenou a modernização dos métodos de previsão, coleta de dados e transmissão.

No cenário internacional, destacou-se como representante do Brasil na Organização Meteorológica Mundial (OMM), onde ocupou cargos de grande relevância, sendo o primeiro brasileiro a alcançar a Vice-Presidência da entidade, ampliando a visibilidade e o reconhecimento do país. Também teve atuação destacada como Co-Presidente do IPCC/WGI (1988–1990), Cientista Chefe do Escritório de Programas Globais da NOAA (1991–1993) e Presidente do programa internacional TOGA. Participou ainda da criação do Instituto Internacional de Pesquisa em Mudanças Climáticas (IRI), onde atuou como Diretor, desenvolvendo pesquisas voltadas ao avanço das técnicas de previsão climática e sua aplicação no desenvolvimento sustentável.

Ao longo de sua carreira, também atuou como professor na Universidade de Taubaté, foi eleito membro da Academia de Ciências do Terceiro Mundo e publicou livros e diversos artigos científicos em revistas nacionais e internacionais.

Antônio Divino Moura deixa um legado duradouro de dedicação à ciência, à gestão pública e ao desenvolvimento da meteorologia como instrumento essencial para a sociedade.


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