Chuvas irregulares exigem cautela no início da semeadura de soja e milho em Goiás e Mato Grosso.

A previsão de chuvas nos próximos dias ainda será insuficiente para recuperar a umidade do solo.

Publicado em 22/09/2026 10h31 . Última modificação 22/09/2026 11h02 .


O início da safra de verão 2026/27 depende da regularização das chuvas nas principais regiões produtoras de soja e milho. Para os próximos dias, a previsão indica baixos volumes de precipitação e temperaturas elevadas em grande parte de Goiás e Mato Grosso, mantendo a umidade do solo em níveis reduzidos e exigindo cautela na implantação das lavouras de sequeiro.

A ocorrência de pancadas isoladas pode proporcionar condições momentâneas favoráveis à semeadura, contudo não garante a manutenção da disponibilidade hídrica necessária para a germinação, a emergência e o estabelecimento inicial das culturas. Nesse contexto, a continuidade e a boa distribuição das chuvas são tão importantes quanto o volume registrado no momento do plantio, uma vez que a rápida redução da umidade do solo pode comprometer a uniformidade do estande. Esse cenário requer atenção diante da expectativa de expansão da área cultivada com milho primeira safra e continuidade do crescimento da área de soja no país. Conforme as perspectivas divulgadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), o desempenho das culturas ao longo do ciclo estará condicionado, entre outros fatores, à evolução das condições climáticas.

Com a previsão de volumes pouco expressivos ou ausência de chuva em grande parte dos estados, as condições de plantio deverão variar entre municípios e propriedades, de acordo com a umidade antecedente do solo e com a ocorrência efetiva das precipitações. Desta forma, a semeadura sob disponibilidade hídrica limitada aumenta o risco de germinação e emergência desuniformes, falhas de estande e eventual necessidade de replantio. Além dos efeitos diretos sobre a implantação das lavouras, atrasos mais prolongados na instalação da soja em Goiás e Mato Grosso, podem reduzir a janela disponível para a semeadura da segunda safra de milho em áreas de sucessão. A definição da data de plantio deve, portanto, considerar as condições locais de umidade do solo, a atualização da previsão do tempo e as recomendações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).

PREVISÃO DO TEMPO

A previsão para os próximos sete dias indica baixos acumulados de chuva em grande parte de Goiás e Mato Grosso, com volumes entre 10 e 30 mm concentrados somente na porção sul dos estados (tons em azul e verde na Figura 1). As temperaturas tendem a permanecer elevadas sobre o norte e sudoeste de Mato Grosso e o oeste de Mato Grosso do Sul, onde os valores máximos deverão ultrapassar os 30 °C. Diante deste cenário, os níveis de armazenamento de água no solo ainda permanecerão extremamente baixos em grande parte da região (tons em vermelho e alaranjado na Figura 2), refletindo a persistência das condições de déficit hídrico para os próximos cinco dias.

Embora a Região Centro-Oeste esteja em transição para o período chuvoso, as chuvas previstas ainda não devem ser suficientes para promover uma recuperação significativa da umidade do solo em grande parte de Goiás e Mato Grosso. Assim, a disponibilidade hídrica no solo permanecerá limitada, aumentando a dependência da regularização das chuvas para o início e o estabelecimento das lavouras de sequeiro.

Essa condição é particularmente relevante para a semeadura da soja, uma vez que a baixa umidade do solo pode comprometer a germinação e a emergência das plantas caso as primeiras chuvas sejam insuficientes ou apresentem distribuição irregular. Dessa forma, a frequência, a distribuição e os volumes das próximas chuvas serão determinantes para o avanço da semeadura das culturas de verão, especialmente nas áreas de Goiás e Mato Grosso que ainda apresentam baixos níveis de armazenamento de água no solo. Por isso, é fundamental o acompanhamento contínuo das previsões e avisos meteorológicos emitidos pelo INMET, de modo a subsidiar a tomada de decisão nas lavouras, reduzindo os riscos operacionais e otimizando o planejamento das operações de campo.

Figura 1: Previsão de chuva acumulada (22 de setembro a 29 de setembro de 2026). Fonte: INMET.

Figura 2: Armazenamento médio de água no solo na Região Centro-Oeste entre 22 e 27 de setembro de 2026. Fonte: INMET/SISDAGRO.



Veja mais: