Chuvas causam impactos distintos em áreas agrícolas no Pará
Excesso hídrico favorece o milho, mas atrasa a colheita da soja no nordeste do Pará
Nas últimas semanas, o aumento da frequência das chuvas na região Norte, especialmente no Pará, favorece a ocorrência de elevados acumulados, especialmente em áreas do Marajó e do nordeste paraense. Nesse cenário, as principais culturas agrícolas encontram-se em diferentes fases de desenvolvimento, o que tem resultado em impactos distintos sobre as lavouras.
No caso da soja, as condições hídricas ao longo da safra têm sido, até o momento, favoráveis (Figura 1). Em regiões como Paragominas, o balanço hídrico do solo permanece positivo, contribuindo para o bom desenvolvimento das plantas. No entanto, a intensificação das chuvas durante o mês de fevereiro e a previsão de volumes elevados nos próximos dias tendem a dificultar o avanço da colheita, principalmente devido à limitação no acesso de máquinas às áreas de cultivo.
De acordo com estimativas do SISDAGRO (Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária), a perda de produtividade da soja pode chegar a 19,4% até o dia 30 de março. O sistema considera indicadores agrometeorológicos, como precipitação, evapotranspiração e o balanço hídrico do solo, para avaliar os impactos das condições climáticas sobre o desempenho das culturas.

Figura 1: Estimativa de perda de produtividade para a cultura da soja no período de 01 de novembro de 2025 a 30 de março de 2026 em Paragominas (PA). Fonte: SISDAGRO.
Diferente dos impactos observados na soja, o cultivo de milho tem encontrado condições favoráveis ao seu desenvolvimento. A maior parte das lavouras no estado encontra-se na fase vegetativa, avançando para o florescimento nas áreas mais precoces. Por se tratar de um estágio fenológico de alta demanda por água, a frequência das chuvas tem garantido o bom desenvolvimento das plantas, especialmente no sudeste paraense. Esse cenário é identificado na Figura 2, que demonstra a regularidade das chuvas e o balanço hídrico positivo em Santana do Araguaia (PA) vem contribuindo para uma estimativa de baixa perda de produtividade.

Figura 2: Estimativa de perda de produtividade para a cultura do milho no período de 01 de fevereiro a 30 de março em Santana do Araguaia (PA). Fonte: SISDAGRO.
Previsão de Tempo
Para os próximos dias, a previsão indica irregularidade na distribuição das chuvas no Pará. Os maiores acumulados são esperados em áreas do centro e sudeste do estado, com volumes variando entre 40 e 90 mm ao longo da semana. Nas demais regiões, as chuvas devem ocorrer de forma isolada e com volumes pouco expressivos, variando entre 3 e 12 mm.
Quanto às temperaturas, são previstas máximas entre 28 °C e 30 °C na maior parte do estado. Já na região do Baixo Amazonas, as temperaturas poderão ser superiores a 30 °C, mantendo-se elevadas até, pelo menos, a próxima segunda-feira (30). Esse cenário contribuirá para manter o excedente hídrico no solo, especialmente no sudeste do Pará, onde os níveis de saturação devem permanecer elevados, sem indicativos de déficit hídrico até o final da semana.
Esse quadro reforça a necessidade de atenção no planejamento das atividades agrícolas na região, recomendando-se o acompanhamento contínuo das atualizações meteorológicas, bem como o monitoramento das condições de umidade do solo, a fim de subsidiar a tomada de decisão no manejo das lavouras, reduzir riscos operacionais e otimizar o planejamento das operações de campo.
O INMET é um órgão do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e representa o Brasil junto à Organização Meteorológica Mundial (OMM) desde 1950.
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