A Financeirização do Dado Meteorológico como mitigação das consequências da crise hídrica

Combater as mudanças climáticas requer ações corretivas e investimentos com foco em gerenciamento de risco além do horizonte usual.

Por Renan de Souza Rodrigues - publicado 27/08/2021 16h53 . Última modificação 27/08/2021 17h40 .


Combater as mudanças climáticas requer ações corretivas e investimentos com foco em gerenciamento de risco além do horizonte usual.


O aumento da volatilidade do clima aumentou para a sua maior posição dos últimos anos impactando toda a cadeia, da escassez de insumos agrícolas e recursos como água, passando por interrupções em cadeias de produção e abastecimento, propagação de doenças, aumento de desigualdades sociais e a redução do PIB.


Como uma forma de mitigar os impactos das alterações do clima, o Instituto Nacional de Meteorologia – INMET está desenvolvendo o seguro de índice paramétrico com Empresas Seguradoras. O Seguro Paramétrico é um tipo de seguro que correlaciona fenômenos ambientais com o fluxo de receitas ou a estrutura de custos do produtor rural.


O seguro paramétrico não indeniza a perda pura, mas antecipadamente concorda em efetuar um pagamento na ocorrência de um evento desencadeante. O gatilho é a expectativa de prejuízo e não o dano material direto. Segundo o Diretor do INMET, Miguel Lacerda, “O seguro paramétrico é uma solução de gestão de risco que pode ser customizada para atender todos os setores do Agronegócio.” Dentro de uma visão mais ampla, o seguro de índice pode ser customizado para mitigação do risco climático sobre a atividade de geração de energia elétrica, hidráulica, solar, eólica e ainda, sobre a mitigação das consequências trazidas em catástrofes climáticas.


A redução das chuvas tem elevado o custo de geração de energia elétrica no Brasil. Na visão do Assessor do INMET Paulo Costa, “Esse custo adicional ao consumidor poderia ter sido evitado caso o sistema elétrico nacional tivesse um seguro paramétrico com cobertura por baixo índice de pluviosidade para cobrir o custo incremental da entrada em operação das térmicas.”


Além do seguro paramétrico, o SIM-INMET também visa à construção do derivativo climático negociado na B3 S.A. (bolsa). O Instituto de Meteorologia tem um Acordo de Cooperação Técnica com a bolsa para o desenvolvimento de instrumentos financeiros a partir de dados meteorológicos. Trata-se da visão estratégica da financeirização dos dados meteorológicos que abrirão novas possibilidades ao investidor no Brasil. Por fim, as ações do SIM-INMET contribuem para o aumento das opções ligadas às finanças climáticas e a construção da economia de baixo carbono.