Primavera tem primeira onda de calor neste fim de semana

Inmet monitora possibilidade de onda de calor no Centro-Sul do Brasil nos próximos dias a partir deste sábado (26), com máximas acima dos 40 °C no Centro-Oeste.

Publicado em 24/09/2026 12h17 . Última modificação 24/09/2026 15h12 .

A primeira onda de calor da primavera de 2026 deve começar neste sábado (26) e atingir partes das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. As temperaturas máximas poderão chegar a 41 °C em Cuiabá (MT), no domingo (27) e na segunda-feira (28), e a 40 °C em Campo Grande (MS), na segunda-feira. Em São Paulo (SP), a máxima poderá atingir 32 °C no domingo.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) emitiu aviso vermelho para onda de calor, válido de sábado (26) até quarta-feira (30) e mostrado na Figura 1. O episódio deve provocar uma sequência de dias com temperaturas máximas superiores à média climatológica em 5 °C ou mais, por pelo menos cinco dias consecutivos — critério usado para caracterizar um evento de onda de calor.

O aviso abrange seis estados: Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, em todo o território; além do centro e do sul de Mato Grosso, incluindo a capital, Cuiabá; do centro, do sul e do oeste do Rio de Janeiro, incluindo a capital; e do sul e do sudeste de Minas Gerais, em áreas próximas aos municípios de Passos, Poços de Caldas, Varginha, Maria da Fé e Lavras.

Outras regiões do país deverão registrar temperaturas elevadas nos próximos dias, mas não estão incluídas no aviso porque a previsão não atende simultaneamente aos critérios de intensidade e persistência usados para caracterizar o evento.

Essas condições deverão ser observadas em partes do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do sul de Rondônia, do sul de Goiás, do centro e do sul do Pará e em outras áreas de Mato Grosso. Em Brasília (DF), a máxima poderá atingir 32 °C no início da próxima semana.

Como a atmosfera favorece o aumento das temperaturas

Um dos sistemas que contribuem para essa configuração é uma área de baixa pressão que deverá se intensificar entre o norte da Argentina e o oeste do Paraguai ao longo dos próximos dias. Conhecido como Baixa do Noroeste da Argentina (BNOA), o sistema começa a se desenvolver na madrugada de sexta-feira (25), com pressão central próxima de 1008 hPa. Entre domingo (27) e segunda-feira (28), a previsão indica um rápido aprofundamento, e o sistema poderá atingir pressão central próxima de 995 hPa na tarde de segunda-feira, quando deverá apresentar sua maior intensidade, como mostra a Figura 2.

O fortalecimento da baixa pressão modifica a circulação dos ventos em uma área bastante ampla. No Hemisfério Sul, sistemas de baixa pressão apresentam circulação ciclônica no sentido horário. À medida que a baixa se intensifica, essa circulação favorece o transporte de ar quente das áreas mais ao norte em direção ao Sul do Brasil, ao Paraguai e à Argentina, o que contribui para a elevação rápida das temperaturas, que depois tendem a permanecer altas com a manutenção do padrão atmosférico.

A baixa pressão em superfície, no entanto, não é o único fator responsável pelo episódio de calor. Na alta troposfera, entre cerca de 5 km e 12 km acima da superfície, também deverá se estabelecer uma circulação anticiclônica anômala sobre partes do Centro-Oeste, do Sudeste e do Sul. Essa circulação favorece o movimento descendente do ar, conhecido como subsidência: durante a descida, o ar é comprimido à medida que se aproxima da superfície e se aquece. O processo intensifica e mantém as altas temperaturas, sobretudo quando associado ao transporte de ar quente em baixos níveis.

Essa configuração de alta pressão persistente em níveis superiores é frequentemente associada ao chamado "domo de calor". O termo descreve uma área de circulação anticiclônica que favorece a subsidência e a permanência de uma massa de ar quente sobre determinada região, o que contribui para a persistência das temperaturas elevadas e dificulta a renovação da massa de ar. A Figura 3 ilustra a atuação dessa circulação e a área sob influência do domo de calor.

As condições de calor acima da média deverão persistir até quarta-feira (30). A partir daí, a chegada de uma nova frente fria deverá modificar o padrão atmosférico sobre o centro-sul do Brasil e favorecer a redução das temperaturas nas áreas afetadas. As Figuras 4 a 8 trazem mais detalhes sobre a previsão de calor para os últimos dias de setembro.

O INMET recomenda que a população acompanhe as atualizações das previsões e dos avisos emitidos pelo Instituto nos próximos dias, já que as condições atmosféricas podem mudar e as previsões podem ser ajustadas à medida que novos dados forem incorporados aos modelos numéricos. Novas informações sobre a intensidade, a duração e a área de abrangência do episódio serão divulgadas pelos canais oficiais do INMET.


Figura 1 - Área sob aviso vermelho para onda de calor, vigente para os últimos dias de setembro, entre sábado (26) e quarta-feira (30). Acesse os avisos meteorológicos em https://avisos.inmet.gov.br/.



Figura 2
– Representação esquemática da relação entre o sistema de baixa pressão do Noroeste da Argentina (BNOA) e sua influência sobre a circulação dos ventos e o transporte de calor em direção ao centro-sul do Brasil. A letra “B” indica o centro do sistema de baixa pressão em seu momento de maior intensidade, previsto para ocorrer entre o final da tarde e o início da noite de segunda-feira (28), quando a pressão atmosférica central poderá atingir aproximadamente 995 hPa. As setas vermelhas representam, de forma esquemática, a circulação dos ventos associada ao sistema e o transporte de ar quente em direção ao centro-sul do Brasil. Fonte: INMET.



Figura 3
– Circulação dos ventos em altos níveis durante o período sujeito à ocorrência de onda de calor. O mapa destaca a presença de uma ampla circulação anticiclônica sobre partes das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Essa circulação anticiclônica, representada pelas setas vermelhas, favorece a permanência do ar quente sobre sua área de influência e o movimento descendente do ar de níveis mais altos para a superfície. Durante a descida, o ar é comprimido e aquecido, contribuindo para a manutenção das altas temperaturas. Além disso, a persistência dessa circulação anticiclônica contribui para dificultar o avanço de sistemas frontais sobre a região, favorecendo a manutenção das condições de tempo quente e seco. Como consequência, os maiores valores de umidade relativa do ar tendem a se concentrar nas áreas externas à região de influência do domo de calor. Fonte: INMET.



Figura 4
– Anomalia da temperatura máxima prevista para a tarde de sábado (26), representando os desvios da temperatura em relação à média climatológica. São observadas anomalias superiores a 5 °C em partes das regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Fonte: INMET.



Figura 5
– Anomalia da temperatura máxima prevista para a tarde de domingo (27), representando os desvios da temperatura em relação à média climatológica. As características observadas no sábado (26) persistem, com anomalias superiores a 5 °C em partes das regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Fonte: INMET.



Figura 6
– Anomalia da temperatura máxima prevista para a tarde de segunda-feira (28), com manutenção das temperaturas acima da média em partes das regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Fonte: INMET.



Figura 7
– Anomalia da temperatura máxima prevista para a tarde de terça-feira (29). As anomalias permanecem elevadas sobre o Paraná e partes das regiões Centro-Oeste e Sudeste, enquanto a possível chegada de uma frente fria ao extremo sul do Rio Grande do Sul, representada pela curva azul com triângulos, favorece a redução das temperaturas para valores próximos à média climatológica na área. Fonte: INMET.



Figura 8
– Anomalia da temperatura máxima prevista para a tarde de quarta-feira (30). O possível avanço da frente fria pela região Sul do Brasil favorece a redução das temperaturas para valores próximos à média climatológica, inclusive no Paraná. As anomalias positivas, entretanto, permanecem sobre São Paulo e partes da região Centro-Oeste. Fonte: INMET.




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