Previsão de chuvas intensas no Espírito Santo e Bahia no último final de semana de fevereiro
Um sistema de baixa pressão em desenvolvimento na costa do Sudeste pode ocasionar chuvas intensas nos próximos dias
A passagem de uma frente fria pelo Oceano Atlântico, na altura da região Sul do Brasil, e a presença de uma área de baixa pressão que se intensifica gradualmente na costa da região Sudeste, têm organizado muita instabilidade, que resultou em chuvas intensas no leste dos estados de Minas Gerais, São Paulo e na região serrana do Rio de Janeiro. Apenas entre a terça-feira (24) e amanhã de quinta-feira (26), o total de chuva na estação meteorológica do INMET em Juiz Fora (MG) foi de 292,4 mm e, na estação localizada no município de Resende (RJ) o total chegou aos 161,2 mm.
Destaca-se ainda o fato de que, em Juiz de Fora (MG), os acumulados de chuva em fevereiro de 2026 já configuram um recorde histórico: até as 09h de hoje (26), a estação convencional do INMET (código 83692) registrou 733,6 mm no mês, caracterizando o maior acumulado de chuva mensal desde 1961. Até então, o maior acumulado mensal observado na estação era de 715,4 mm, em janeiro de 1985.
A Tabela 1 apresenta as localidades com estações meteorológicas do INMET na região Sudeste do Brasil que registraram os maiores acumulados mensais parciais de precipitação em fevereiro de 2026, bem como seus respectivos desvios em relação à normal climatológica.
Tabela 1 – Maiores acumulados mensais parciais de precipitação em fevereiro de 2026 nas estações convencionais do INMET da região Sudeste do Brasil e desvios em relação à normal climatológica. Fonte INMET.

* Total de chuva registrado até a manhã desta quinta – feira (26)
Dentre os motivos que explicam os elevados acumulados de chuva nessas regiões em fevereiro de 2026, destacam-se a configuração da circulação dos ventos em escala planetária, as condições térmicas anômalas dos oceanos, o posicionamento dos sistemas meteorológicos de escala sinótica e dos sistemas convectivos associados, bem como efeitos locais, como a presença de regiões de serra, entre outros.
Previsão para o final de semana
A previsão para o final de semana aponta para a manutenção e possível intensificação do sistema de baixa pressão na costa da região Sudeste do Brasil entre sexta-feira (27) e sábado (28) (Figura 1), em um processo conhecido como ciclogênese (formação de um ciclone). Devido à sua localização em latitudes subtropicais, bem como sua posição sobre o Oceano Atlântico aquecido e, ainda, em função do fluxo de ar menos aquecido pós-frontal oriundo de sul, o sistema pode vir a ser classificado como um ciclone do tipo subtropical.
Em conjunto, a frente fria ao sul, e o sistema de baixa pressão, organizam um corredor de ventos do quadrante sul, que ingressam na região Sudeste a partir da faixa litorânea dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, levando ar menos aquecido e bastante umidade do oceano para o continente, o que contribui para as chuvas intensas observadas, e que continuam no cenário de previsão.
No entanto, a partir desta sexta-feira (26) e, especialmente, no final de semana, ambos os sistemas meteorológicos (o sistema de baixa pressão na costa do Sudeste e a frente fria ao sul) devem se deslocar lentamente para leste, posicionando-se preferencialmente sobre o Oceano Atlântico. Com isso, os ventos do quadrante sul passam a ingressar também sobre o estado do Espírito Santo e chegam ao sul da Bahia ao longo do final de semana, levando condições de chuvas intensas para o leste e norte de Minas Gerais, para o Espírito Santo e para a Bahia entre sexta-feira (27) e domingo (01).
Além disso, a atuação dos sistemas meteorológicos, associados à circulação dos ventos em níveis superiores, deverá favorecer a configuração de um novo episódio de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) neste final de semana, estabelecendo uma grande faixa de nebulosidade e chuvas entre o sudeste da região Amazônica (Região Norte), grande parte do interior da região Nordeste, bem como o norte e leste do Sudeste.
Em relação à previsão das áreas sujeitas à ocorrência de chuvas intensas, é fundamental acompanhar as atualizações dos avisos emitidos pelo INMET.
Complementarmente, a Figura 1 mostra a previsão do campo de pressão ao nível médio do mar para o horário das 03h (horário de Brasília) de 28 de fevereiro de 2026, um dos momentos de previsão de maior aprofundamento do sistema de baixa pressão, com valor de pressão em seu centro de 1001 hPa.
A Figura 2 mostra o campo de vento em baixos níveis. Em torno do centro de baixa pressão, os ventos sopram no sentido horário. Com isso, a oeste do centro de baixa pressão, os ventos são do quadrante sul, afetando os estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Por outro lado, a noroeste e ao norte do centro de baixa pressão, os ventos são de noroeste e trazem umidade oriunda da Amazônia para a região do sul da Bahia e grande parte do interior da região Nordeste.
As Figuras 3 e 4 mostram a previsão de acumulados de chuva para o sábado (28) e domingo (1), respectivamente. Tons de vermelho e rosa indicam acumulados de chuva entre 70 e 90 mm.
No sábado (28) a previsão é de maiores totais de chuva no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, norte de Goiás e Tocantins. Já no domingo (1), as chuvas deverão ser mais intensas no norte de Minas Gerais e do Espírito Santo, Bahia, norte de Goiás, Tocantins e interior da região Nordeste.

Figura 1 – Previsão do campo de pressão ao nível do mar do modelo COSMO para a madrugada de 28 de fevereiro de 2026, mostrando o sistema de baixa pressão de 1001 hPa. Fonte: INMET.

Figura 2 – Previsão de escoamento dos ventos (contornos pretos) e umidade (sombreado em escala de cinza) em baixos níveis da atmosfera do modelo COSMO para 03h (horário de Brasília) de 28 de fevereiro de 2026. Fonte: INMET.

Figura 3 – Previsão de chuva do modelo COSMO para o sábado (28). Fonte: INMET.

Figura 4 – Previsão de chuva do modelo COSMO para o domingo (1). Fonte: INMET.
A população deve acompanhar as atualizações meteorológicas nas redes sociais e portal do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e adotar medidas de precaução, especialmente em áreas suscetíveis a alagamentos, inundações, enxurradas e transtornos causados por ventos fortes.
O INMET é um órgão do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e representa o Brasil junto à Organização Meteorológica Mundial (OMM) desde 1950.
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