Nota sobre os Destaques Meteorológicos de setembro de 2026

Confira os principais eventos ocorridos

Publicado em 09/10/2026 12h49 . Última modificação 09/10/2026 16h41 .


O mês de setembro destacou-se pelo baixo volume de chuvas na porção centro-norte do Brasil e chuvas acima da média na porção centro-sul, com recordes na região Sul, devido a influência do El Niño. Prevalecendo volumes próximos da climatologia em algumas áreas do país. Além disso, será abordada a elevação das temperaturas em áreas que registraram valores acima da média.

A Figura 1 ilustra os acumulados de precipitação registrados ao longo de setembro de 2026, enquanto a Tabela 1 apresenta os maiores desvios (positivos e negativos) em relação à normal climatológica. Observa-se que os maiores desvios positivos de chuva se concentraram na região Sudeste e Sul.

Na Região Norte, os maiores acumulados de chuva concentraram-se entre o Acre e a porção Sul do Amazonas, com totais mensais superiores a 100 mm (tons de verde a azul na Figura 1). Nessas áreas, observam-se anomalias positivas acima de 40 mm, com destaque para as estações meteorológicas de Rio Branco (AC), com 206,2 mm, Manicoré (AM), com 175,8 mm, e Novo Aripuanã (AM), com 126,4 mm, associado ao canal de umidade e áreas de instabilidade. Em contraste, os estados de Roraima, Amapá, além de áreas pontuais no Pará, Amazonas e Tocantins, apresentaram volumes inferiores a 40 mm ao longo do mês. Destaca-se a estação de Peixe (TO), que registrou 4,2 mm, valor 82,6% abaixo da média histórica para o mês, além da estação de Manacapuru (AM), que registrou 29,8 mm (Tabela 1), valor 59,6% abaixo da média histórica.

Na Região Nordeste, os maiores acumulados concentraram-se na costa leste, com totais superiores a 40,0 mm, associado a convergência de umidade. Entre os municípios com maiores volumes registrados, destacam-se Recife (PE), Salvador (PE) e Itapissuma (PE), com 91,4 mm, 71,6 mm e 61,2 mm, respectivamente. Por outro lado, no interior da região, predominaram acumulados inferiores a 20 mm (tons de amarelo a branco na Figura 1). Destaca-se a estação de Vitória da Conquista (PE), que registrou 102,1% de volume pluviométrico acima da média. Por outro lado, o maior desvio negativo foi observado em Maceió (AL), com 53,5 mm abaixo da média (Tabela 1).

Na Região Centro-Oeste, volumes superiores a 150 mm (áreas em azul na Figura 1) foram registrados entre o Sudoeste e o Leste do Mato Grosso do Sul, com anomalias positivas nesta área. Esses acumulados estiveram associados à passagem de sistema frontal e áreas de instabilidade. Destacam-se as estações de Nova Ubiratã (MS), Ivinhema (MS) e Sidrolândia (MS), que registraram totais mensais de 195,4 mm, 190,2 mm e 186,8 mm, respectivamente. Por outro lado, as anomalias negativas de precipitação concentraram-se na porção centro-norte da região. Destaca-se a estação de São Simão (MS), que registrou 18,8 mm, valor 61,8% abaixo da climatologia.

Na Região Sudeste, predominaram volumes superiores a 90 mm no interior da região (tons de verde a azul na Figura 1), com anomalias positivas acima de 200 mm, na porção central de São Paulo. A distribuição das chuvas foi influenciada pela passagem de sistemas frontais, cavados e influência de dois ciclones extratropicais, que favoreceu a formação de áreas de instabilidade e contribuíram para os acumulados expressivos. Destacam-se as estações de Iguapé (SP) (Tabela 1), com 454,2 mm (recorde), Barra do Turvo (SP), com 344,4 mm, e Bragança Paulista (SP), com 329,0 mm. Por outro lado, algumas áreas, apresentaram desvios negativos de precipitação, com volumes mensais até 30 mm abaixo da média histórica. Destacam-se as estações de Florestal (MG) e Monte Carlos (MG), cujos totais mensais de 22,0 mm e 4,7 mm estiveram 58,6% e 74,6% abaixo da média climatológica de setembro, respectivamente.

Na Região Sul, os volumes de chuva foram superiores a 250 mm (tons em azul na Figura 1), com desvios positivos superiores a 100 mm em algumas áreas. Essa configuração foi influenciada pela atuação da passagem de dois ciclones extratropicais e frentes frias. Os maiores volumes foram registrados em Morretes (PR), Muçum (RS) e Caxias do Sul (RS), que registraram totais mensais de 462,4 mm, 368,8 mm e 366,6 mm, respectivamente. Por outro lado, houve desvio negativo de precipitação em setembro, com volume mensal abaixo da média histórica do mês, como se observou em Jaguarão (RS), cujo total mensal esteve 66,0 mm (Tabela 1) abaixo da climatologia.

Figura 1 – Mapa do acumulado de precipitação (mm) em setembro de 2026. Tons em azul indicam áreas mais chuvosas, cuja redução de volumes é representada pela gradação do azul claro, passando pelo verde escuro/claro até os tons de laranja/amarelo.

Tabela 1 – Precipitação total acumulada (mm) em setembro de 2026 indicando os maiores desvios (positivos) nos estados de São Paulo (SP), Paraná (PR) e Minas Gerais (MG), e os menores desvios (negativos) em Roraima (RR), Rio Grande do Sul (RS), Alagoas (AL) e Amazonas (AM).

Nota: % Chuva em relação à climatologia = (Chuva observada - Chuva climatológica) * 100 / Chuva climatológica.

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