Nota sobre os Destaques Meteorológicos de junho de 2026
Confira os principais eventos ocorridos.
O mês de junho destacou-se pela irregularidade das chuvas no Brasil, foram observadas algumas áreas de chuvas expressivas na Norte, Centro-Oeste e Sudeste. Prevalecendo chuvas abaixo da média em grande parte do país. Além disso, será abordada a elevação das temperaturas em áreas que registraram valores acima da média.
A Figura 1 ilustra os acumulados de precipitação registrados ao longo de junho de 2026, enquanto a Tabela 1 apresenta os maiores desvios (positivos e negativos) em relação à normal climatológica. Observa-se que os maiores desvios positivos de chuva se concentraram nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
Na Região Norte, os maiores acumulados de chuva concentraram-se no Norte do Amapá e no Sul e Sudoeste do Amazonas, com totais mensais superiores a 200 mm (tons de azul na Figura 1). Nessas áreas, observam-se anomalias positivas acima de 100 mm, com destaque para as estações meteorológicas do Oiapoque (AP), com 364,0 mm, Belém (PA), com 273,8 mm, e Nova Aripuanã (AM), com 248,4 mm. Em contraste, os estados do Tocantins e Rondônia, além de áreas pontuais no Amazonas e Pará, apresentaram volumes inferiores a 100 mm ao longo do mês. Desvios negativos, com déficits superiores a 20 mm, foram observados no estado do Tocantins, evidenciando o baixo volume de chuva registrado na região durante o mês de junho. Destaca-se a estação de Araguaína (TO), que registrou 0,3 mm, valor 98,6% abaixo da média histórica para o mês.
Na Região Nordeste, os maiores acumulados concentraram-se na costa leste, com totais superiores a 200,0 mm (tons em azul na Figura 1), associado ao sistema atmosférico Distúrbio Ondulatório de Leste. Entre os municípios com maiores volumes registrados, destacam-se Maceió (AL), Recife (PE), Salvador (BA) (Tabela 1), com 303,8 mm, 256,8 mm e 229,6 mm, respectivamente. Por outro lado, no interior da Bahia, Piauí, Pernambuco, Paraíba e Alagoas predominaram acumulados inferiores a 40 mm (tons em verde a laranja na Figura 1). Devido aos eventos fortes de chuva na costa leste, desvios positivos foram observados em várias localidades, com volumes superiores a 40 mm acima da climatologia. Destaca-se a estação de Arco Verde, que registrou 58,5% de volume pluviométrico acima da média. Por outro lado, o maior desvio negativo foi observado em Recife (PE), com 121,5 mm abaixo da média (Tabela 1).
Na Região Centro-Oeste, volumes superiores a 90 mm (áreas em verde a azul na Figura 1) foram registrados no Leste do Mato Grosso do Sul e Sudoeste Mato-Grossense, com anomalias positivas acima de 50 mm nesta área. Esses acumulados estiveram associados à passagem de sistema frontal. Destacam-se as estações de Tangará da Serra (MT), Bataguassu (MS) e Alto Taquari (MT), que registraram totais mensais de 97,8 mm, 97,0 mm e 95,4 mm, respectivamente. Ressalta-se que neste mês o volume pluviométrico observado na estação de Brasília registrou novo recorde, com um total de 59,7 mm. Por outro lado, as anomalias negativas de precipitação concentraram-se entre a área do Pantanal e Sudoeste do Mato Grosso do Sul. Destaca-se a estação de Ponta Porã (MS), que registrou 61,2 mm, valor 23,3% abaixo da climatologia.
Na Região Sudeste, predominaram volumes inferiores a 40 mm em grande parte da região (tons de amarelo a laranja na Figura 1), com anomalias positivas acima de 50 mm, especialmente o Triângulo Mineiro e o estado de São Paulo. A distribuição das chuvas foi influenciada pela atuação de alta pressão que desfavoreceu a formação de nuvens de chuva. Porém, a passagem de um sistema frontal semiestacionário favoreceu a formação de áreas de instabilidade que contribuíram para os acumulados expressivos em algumas localidades. Destacam-se as estações do Alto da Boa Vista (RJ), com 306,9 mm, Saquarema (RJ), com 283,4 mm, e Campina Verde (MG), com 239,8 mm, este sendo o recorde do mês (Tabela 1). Por outro lado, algumas áreas do Espírito Santo até o Norte Fluminense apresentaram desvios negativos de precipitação, com volumes mensais até 30 mm abaixo da média histórica. Destacam-se as estações de Campos dos Goytacazes (RJ) e Vitória (ES), cujos totais mensais de 6,0 mm e 36,2 mm estiveram 84,7% e 46,6% abaixo da média climatológica de junho, respectivamente.
Na Região Sul, os volumes de chuva foram superiores a 150 mm (tons em azul na Figura 1), com desvios negativos superiores a 50 mm em algumas áreas do Paraná. Essa configuração foi influenciada pela atuação da passagem de sistemas frontais. Destaca-se a estação meteorológica de Dois Vizinhos (PR), com 237,6 mm, volume 48,1% acima da média climatológica. Por outro lado, houve desvio negativo de precipitação em junho, com volume mensal abaixo da média histórica do mês, como se observou em Maringá (PR), cujo total mensal esteve 72,8 mm abaixo da climatologia.

Figura 1: Mapa do acumulado de precipitação (mm) em junho de 2026. Tons em azul indicam áreas mais chuvosas, cuja redução de volumes é representada pela gradação do azul claro, passando pelo verde escuro/claro até os tons de laranja/amarelo.

Nota: % Chuva em relação à climatologia = (Chuva observada - Chuva climatológica) * 100 / Chuva climatológica
Tabela 1: Precipitação total acumulada (mm) em junho de 2026 indicando os maiores desvios (positivos) nos estados de Minas Gerais (MG), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), e os menores desvios (negativos) em Pernambuco (PE), Rio Grande do Norte e Maranhão (MA).
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