Maio: como será o clima no Brasil?
A previsão é de chuva acima da média em grande parte da Região Nordeste
Para o mês de maio de 2026, a previsão climática do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) indica chuva acima da média em áreas das regiões Norte e Nordeste (tons em azul na Figura 1a). Por outro lado, a previsão é de chuva abaixo da média histórica de maio em áreas das regiões Sul, Norte e Centro-Oeste (tons em amarelo na Figura 1a).
Chuva
Para a Região Norte, são previstos totais de chuva acima da média em praticamente todo o Pará, centro-leste do Amazonas, centro-sul de Roraima, centro-sudeste do Tocantins, centro do Acre e em todo o Amapá (tons em azul na Figura 1a). Por outro lado, são previstos volumes abaixo da média no centro-oeste do Amazonas e centro-norte de Roraima (tons em amarelo na Figura 1a).
Em relação à Região Nordeste, é prevista chuva acima da média em todos os estados (tons em azul na Figura 1a). Destaque para a região litorânea dos estados de Alagoas e Sergipe, onde são previstos maiores desvios positivos de chuva. Além disso, a previsão indica volumes de chuva próximos à climatologia em quase toda a Bahia, exceto no nordeste do estado, onde há possibilidade de chuva acima da média.
Para a Região Centro-Oeste, a previsão indica chuva abaixo da média no centro-sul do Mato Grosso do Sul e extremo sudoeste do Mato Grosso. Nas demais áreas da região, predominam totais de chuva próximos à média histórica do mês.
Para a Região Sudeste, o prognóstico indica volumes abaixo da média no centro-sul de Minas Gerais, centro-leste de São Paulo extremo sul do Espírito Santo e porções sul e norte do Rio de Janeiro. No restante da região, predominam volumes próximos à climatologia do mês.
Em relação à Região Sul, a previsão indica chuva acima da média em praticamente todo o Rio Grande do Sul. De outro modo, para todo o Paraná e o centro-leste de Santa Catarina é prevista chuva abaixo da média.
Temperatura
A previsão indica que as temperaturas devem ficar acima da média em grande parte do país, principalmente na porção centro-norte (tons em amarelo e laranja na Figura 1b).
Para a Região Norte, a previsão indica predomínio de temperaturas acima da média de maio (com previsão de desvios positivos de 0,6 °C, aproximadamente). Exceções ocorrem no Amazonas, Acre, Rondônia, áreas de Roraima e Pará, onde são previstas temperaturas próximas à média climatológica do mês.
Na Região Nordeste, a previsão indica temperaturas até 1,0 °C acima da média em grande parte do Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e MATOPIBA. Nas demais áreas da região, predominam temperaturas próximas à média histórica do mês.
Na Região Centro-Oeste, o prognóstico indica temperaturas médias até 1 °C acima da climatologia do mês em grande parte de Goiás, Mato Grosso e centro-oeste do Mato Grosso do Sul.
Para a Região Sudeste, a previsão indica temperaturas acima da média em quase todo o estado de Minas Gerais. Por outro lado, temperaturas abaixo da média são previstas no extremo sul de São Paulo, centro do Rio de Janeiro e centro-sul do Espírito Santo.
Na Região Sul, a previsão é de temperaturas acima da média no centro-oeste do Paraná, enquanto o sul do Rio Grande do Sul deve ter temperaturas abaixo da climatologia de maio. Nas demais áreas da região, predominam temperaturas próximas à média histórica do mês.

Figura 1: Previsão de desvios de (a) precipitação (mm) e (b) temperatura média do ar (°C) do modelo climático do INMET para o mês de maio de 2026.
Possíveis impactos nas culturas agrícolas
Na Região Norte, a previsão de volumes de chuva próximos ou acima da média em grande parte da região, associada a temperaturas do ar acima da média, deve continuar favorecendo a manutenção dos estoques de água no solo. Esse cenário tende a beneficiar o desenvolvimento das culturas em campo, especialmente o milho de segunda safra nas fases vegetativa e reprodutiva, além de contribuir para a manutenção do vigor das pastagens. Contudo, para o cacau e a banana, em áreas com maior persistência de chuvas, a elevada umidade associada às altas temperaturas pode aumentar o risco fitossanitário, com maior incidência de doenças fúngicas e foliares, além de dificultar as operações de manejo, tratos culturais e colheita.
Na Região Nordeste, a previsão indica chuvas dentro ou acima da média e temperaturas acima da média em grande parte da região. No sul do Maranhão, sudoeste do Piauí e extremo oeste da Bahia, onde são previstos volumes acima da média, esse cenário tende a contribuir para a manutenção da umidade do solo, garantindo adequada disponibilidade hídrica para as culturas em desenvolvimento. Para as lavouras de algodão e milho segunda safra que se encontram em fase reprodutiva a boa disponibilidade hídrica tende a favorecer o florescimento, a formação e o enchimento de estruturas produtivas, contribuindo para a manutenção do potencial produtivo. No entanto, a combinação de elevada umidade e temperaturas acima da média pode aumentar o risco de ocorrência de doenças fúngicas, além de dificultar as operações de manejo nas lavouras.
Na Região Centro-Oeste, a previsão de chuvas próximas ou abaixo da média, especialmente no sul do Mato Grosso do Sul, associada à ocorrência de temperaturas elevadas na maior parte da região, tende a reduzir os níveis de umidade do solo ao longo do período, podendo resultar em condições de déficit hídrico. Para a cultura de algodão na região, a redução da disponibilidade hídrica pode limitar o crescimento das plantas, a formação de estruturas produtivas e o enchimento das maçãs, sobretudo em áreas com menor capacidade de retenção de água no solo. Na pecuária, a diminuição progressiva da umidade do solo tende a reduzir o vigor das pastagens, impactando a taxa de crescimento das forrageiras e a disponibilidade de alimento para os rebanhos. Por outro lado, em áreas do extremo norte do Mato Grosso, a previsão de chuvas acima da média pode dificultar o avanço das operações de colheita de arroz.
Na Região Sudeste, as chuvas previstas na maior parte da região tendem a ficar dentro ou abaixo da média climatológica, associadas a temperaturas acima da média. Essas condições tendem a reduzir os níveis de umidade do solo, contribuindo para a elevação da taxa de evapotranspiração e podendo resultar em restrição hídrica. Esse cenário pode impactar o desenvolvimento das lavouras de segunda safra, podendo comprometer o potencial produtivo, sobretudo em áreas com menor capacidade de retenção de água no solo. Para as culturas de café e citros, a redução da disponibilidade hídrica pode afetar o desenvolvimento vegetativo, o pegamento de flores e o enchimento dos frutos, especialmente em áreas de sequeiro. Por outro lado, a redução das chuvas favorece as operações de colheita e manejo no campo, contribuindo para melhores condições de trafegabilidade e logística.
Na Região Sul, a previsão para o mês de maio indica volumes de chuva abaixo da média, especialmente no Paraná e em parte do leste e do norte de Santa Catarina, associados a temperaturas dentro da média na maior parte da região. Esse cenário tende a impactar as lavouras de inverno em fase de implantação, uma vez que a redução da umidade do solo pode comprometer a semeadura, a germinação, a emergência e o estabelecimento inicial das plantas, sobretudo em áreas com menor capacidade de retenção hídrica. Para o milho de segunda safra, ainda presente em campo no Paraná, a diminuição da disponibilidade hídrica pode afetar o desenvolvimento em fases reprodutivas, podendo resultar em redução do potencial produtivo. Por outro lado, no Rio Grande do Sul, a previsão de chuvas acima do normal, associadas a temperaturas dentro e levemente abaixo da média, tende a favorecer a maior disponibilidade hídrica do solo na região, contribuindo para condições adequadas à semeadura e ao estabelecimento inicial das culturas de inverno. No entanto, a persistência de elevados volumes de chuva pode provocar períodos de excesso de umidade no solo, dificultando pontualmente as operações de semeadura e o tráfego de máquinas, além de aumentar o risco de doenças fúngicas nas fases iniciais de desenvolvimento.

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