LEVANTAMENTO DA ONDA DE FRIO QUE ATUOU NO BRASIL NO FINAL DE JULHO DE 2021.

No período de 27/07 a 01/08 uma intensa massa de ar frio predominou sobre o Centro-Sul do país. Este sistema favoreceu o declínio significativo das temperaturas do ar nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e também no sul e sudoeste da Amazônia Legal (onde o fenômeno é conhecido com Friagem).

Por Viviane Samara Barbosa Nonato - publicado 11/08/2021 11h35 . Última modificação 11/08/2021 13h39 .

No período de 27/07 a 01/08 uma intensa massa de ar frio predominou sobre o centro-sul do país. Este sistema favoreceu o declínio significativo das temperaturas do ar nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e também no sul e sudoeste da Amazônia Legal (onde o fenômeno é conhecido com Friagem). Além dessas áreas do Brasil, a massa de ar frio também atuou no sul da Bahia e grande parte do oeste da Região Nordeste, onde favoreceu o declínio das temperaturas, especialmente as máximas, entre os dias 01 e 02/08.

Os maiores destaques deste sistema, que é o terceiro do inverno de 2021 e, até então, pode ser considerado o mais intenso, foram as temperaturas negativas registradas na Região Sul (por pelo menos três dias consecutivos), a queda de neve (em uma ampla área das serras Gaúcha e Catarinense), além do registro das menores temperaturas mínimas e máximas do ano em grande parte das estações localizadas nas regiões Sul e Sudeste, especialmente.

Panorama Sinótico:

As Figuras 1a a 1l ilustram, através da carta de análise sinótica, o deslocamento da frente fria e da massa de ar frio pelo país entre os dias 26/07 e 31/07/2021.

No dia 26/08 (Figuras 1a e 1b), a frente fria chegou ao Rio Grande do Sul e ao longo do dia seguinte (27), já ocorreu a incursão da crista (associada a massa de ar frio) no sul do Rio Grande do Sul, enquanto que o sistema frontal avançou rapidamente sobre os demais estados da Região Sul (Figura 1c), Mato Grosso do Sul, sul do Mato Grosso e sudoeste de São Paulo (SP) – Figura 1d.

No dia 28/07 (Figura 1e), a frente fria atingiu os demais estados das regiões Centro-Oeste (Mato Grosso e sul de Goiás) e Sudeste (sul e triângulo de Minas Gerais e Rio de Janeiro), além de Rondônia, Acre e sudoeste do Amazonas. Ainda nesse dia, a presença de um ciclone extratropical no Oceano Atlântico, intensificou o vento no litoral da Região Sul e também favoreceu a incursão de umidade nas serras Gaúcha e Catarinense. A combinação de umidade com o ar frio persistiu entre os dias 28 e 29, quando provocou à ocorrência de neve em muitas cidades localizadas nas Serras Gaúcha e Catarinense (conforme informações reportadas pelas Estações Meteorológicas e dos vídeos amplamente divulgados pelos mais diversos veículos de comunicação - incluindo as mídias sociais).

No dia 29 (Figuras 1g e 1h), a frente fria atingiu o norte de Minas Gerais, sul da Bahia e avançou ainda mais pelo sul da Amazônia Legal. Nesse mesmo dia (Figura 1h), a massa de ar frio predominou pelas regiões Sul, Sudeste e também atingiu os estados de Rondônia, Acre e sul do Amazonas. Na Região Sul, a massa de ar frio (identificada na carta sinótica pela letra A, na cor azul) manteve seu centro de alta pressão (de 1029 hPa) posicionado sobre o Rio Grande do Sul até a manhã do dia 30 (Figura 1i).

Somente na noite do dia 30 (Figura 1j), o centro da alta pressão migrou para o Oceano Atlântico, onde ao longo do dia 31 (Figura 1k e 1l), afastou-se gradativamente do leste da Região Sul, mas sua circulação (crista) continuou predominando pelo centro-sul do país e adentrou o interior da Região Nordeste.

Figura 1 – Cartas sinóticas: (a) 26/07 às 12 UTC; (b) a (l) no período de 27/07 a 31/07 às 00 e 12UTC, respectivamente.

NOTA Completa AQUI.