INMET emitiu aviso de tempestade que causou turbulência durante voo em SP

Meteorologistas do INMET explicam mais sobre o ocorrido.

Por Ana Carolina Castro dos Santos - publicado 27/10/2021 13h06 . Última modificação 28/10/2021 16h23 .

No último sábado (23), uma tempestade que contava com rajadas de ventos de mais de 100km/h, granizo e correntes ascendentes e descendentes, de grande risco para aviações, causou terror durante o voo AD 5069, da companhia aérea Azul, que partiu de Campinas (SP) com destino a Presidente Prudente (SP).

De acordo com meteorologistas do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), um aviso de Grande Perigo de Tempestade válido entre as 17h do dia 23 e às 3h do dia 24/10 (domingo) havia sido emitido na manhã de sábado, o qual englobava o sudoeste do estado de São Paulo, além do centrossul do Mato Grosso do Sul e o noroeste do Paraná.

Segundo o mestre em Ciência Ambiental e meteorologista do Inmet, Franco Villela, as previsões meteorológicas já indicavam, dias antes, forte instabilidade atmosférica e potencial elevado para tempo severo. “O aviso publicado contemplava possibilidade de ventos em superfície com rajadas acima de 100 km/h; chuva maior que 60 mm/h e/ou maior que 100 mm/dia, com possibilidade de queda de granizo.”

Foto: Aviso de Grande Perigo de Tempestade. Instituto de Meteorologia (INMET)

“Os meteorologistas, auxiliados pelo modelo de previsão numérica Cosmo do Inmet, já apontavam para a formação de uma linha de instabilidade pré-frontal que organizaria tempestades severas (nuvens do tipo Cumulunimbus - Cb) aglutinadas e organizadas na forma de uma linha que avançaria da região de divisa de SP, PR e MS em direção ao Triângulo Mineiro. Essas nuvens de tempestades promovem correntes descendentes e ascendentes muito fortes, oferecendo riscos conhecidos à aviação”, explica Franco.

Ainda de acordo com o especialista, no dia do ocorrido havia previsão de forte cisalhamento do vento, que nada mais é do que a variação intensa da velocidade ou direção do vento com a altitude, mecanismos bastante conhecidos de instabilidade atmosférica e indicativos de área de turbulência.

“As imagens de satélite e dos radares de Presidente Prudente e Bauru demonstram que as previsões estavam corretas e que, por se tratar de uma extensa linha de instabilidade contínua, não havia como se contornar as tempestades, como no caso do Cb isolado, devido à sua longa extensão de mais de 250 km em curvatura, além de outras linhas de instabilidades vicinais que vieram a se mesclar à principal”, conclui o meteorologista.

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