EVENTOS EXTREMOS DE JANEIRO DE 2022 NO BRASIL

Os destaques serão para episódios de chuvas intensas e onda de calor que causaram perda de vidas humanas, alagamentos, deslizamentos, perda econômica com fechamento de estradas e impactos no agronegócio.

Por Ana Carolina Castro dos Santos - publicado 04/02/2022 15h28 . Última modificação 04/02/2022 16h24 .

Introdução

O objetivo desta nota é fazer um levantamento dos principais fenômenos meteorológicos que atuaram no Brasil em janeiro de 2022. Os destaques serão para episódios de chuvas intensas e onda de calor que causaram perda de vidas humanas, alagamentos, deslizamentos, perda econômica com fechamento de estradas e impactos no agronegócio.

Com relação às chuvas intensas, serão destacadas as ocorrências nos estados da Bahia, Minas Gerais, Goiás, Tocantins e em São Paulo.

As temperaturas elevadas que causaram significativa onda de calor na Região Sul e, especialmente, no Rio Grande do Sul também serão descritas nesse documento.

Precipitação

Os acumulados de chuva em janeiro de 2022 ultrapassaram a média do mês nos estados de Minas Gerais, São Paulo e parte dos estados da Bahia, Tocantins e Goiás. Fato diretamente relacionado com as chuvas intensas e volumosas ocorridas pela atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). A ZCAS é um dos principais sistemas meteorológicos responsáveis pela reposição hídrica em parte do Brasil no período chuvoso e, tem como característica, a persistência de uma faixa de nuvens que fica, praticamente estacionada, provocando muita chuva sobre as mesmas áreas por, pelo menos, 4 dias consecutivos.

Neste mês foram 2 episódios de ZCAS: o primeiro entre os dias 06 e 12/01 e o segundo entre os dias 29/01 e 02/02.

Durante o primeiro episódio de ZCAS, o posicionamento da nebulosidade favoreceu aos elevados totais de chuva em áreas de Goiás, Tocantins, Bahia e em Minas Gerais. A Figura 1 apresenta a imagem de satélite do dia 10/01/2022 às 20h10 (horário de Brasília). Áreas em vermelho indicam regiões mais favoráveis para ocorrência de fortes chuvas. Observa-se muitas áreas de instabilidade sobre Minas Gerais, norte do Rio de Janeiro e no oeste de Goiás.

Figura 1: Imagem de satélite do dia 10/01/2022 às 23:10 UTC (20h10 no horário de Brasília).

Já no segundo episódio, o posicionamento um pouco mais ao sul da ZCAS contribuiu para as excessivas chuvas no estado de São Paulo no final do mês de janeiro.
A Tabela 1 apresenta alguns dos destaques de totais de chuva, média e desvio de chuva para o mês de janeiro de 2022 para os estados de Tocantins, Goiás, Minas Gerais, Bahia e São Paulo. Observa-se que os maiores desvios/anomalias positivos de chuva (chuva acima da média climatológica de janeiro) foram registrados em Minas Gerais. Destaque para os desvios positivos de 476,8 mm e 470,9 mm registrados nas Estações Meteorológicas de Ibirité e Florestal, respectivamente.
Em São Paulo, as fortes chuvas no final do mês de janeiro ocasionaram óbitos, desalojados e desabrigados. Apenas na Estação Meteorológica de Barretos, o total de chuva 366,4 mm representa 140,4 mm acima da média que é de 226,0 mm. Já a capital paulista teve o janeiro mais chuvoso desde 2017 (Ver notícia do Inmet).

Tabela 1 – Precipitação total acumulada em janeiro de 2022 nos Estados de Tocantins, Goiás, Bahia, Minas Gerais e São Paulo.

Temperatura

Além dos grandes acumulados de chuva ocorridos em parte do país, o mês de janeiro foi também marcado por altas temperaturas e intensos eventos de ondas de calor, principalmente na Região Sul, que será o foco nesse documento. Uma onda de calor é caracterizada por um período desconfortável e muito quente, de pelo menos cinco graus acima do normal, que pode durar vários dias ou várias semanas e podem causar impactos negativos à saúde, economia e agricultura.
Na Figura 2 é apresentado o mapa de anomalias (ou desvios) de temperatura máxima para o mês de janeiro. Observam-se anomalias positivas de temperatura máxima, ou seja, temperaturas maiores que a climatologia, chegando a valores acima de 5°C, no Rio Grande do Sul, sul do Mato Grosso do Sul e norte do Paraná. Já em São Paulo, Roraima, grande parte do Mato Grosso, porção leste de Pernambuco e Alagoas e extremo sul de Santa Catarina, as anomalias ficaram entre 2 e 4°C acima da média.

Figura 2: Anomalia de temperatura máxima em janeiro de 2022. Fonte: INPE.

A mais intensa onda de calor nesse mês de janeiro ocorreu na Região Sul do Brasil entre os dias 12 e 26. Nesse período, alguns dias tiveram temperaturas superiores a 10°C com relação à média. É o caso dos dias 21 e 22/01 em Bagé, quando a temperatura máxima foi de 40°C, 11,3° acima da média de janeiro (29,7°C).
A Figura 3 apresenta os mapas de temperatura máxima do dia 20 de janeiro às 15h (horário de Brasília) e anomalia (ou desvio) com relação à média climatológica para o mesmo dia. A Figura 3a observa-se temperaturas acima de 38°C em grande parte do Rio Grande do Sul. Nas demais áreas da Região Sul, as temperaturas variaram entre 30°C e 36°C. Nesse dia, as temperaturas máximas ficaram, em média, 7°C acima da média no Rio Grande do Sul (Figura 3b).
Devido a onda de calor, as temperaturas máximas ultrapassaram os 40°C em diversos municípios. Em Uruguaiana, por exemplo, a temperatura de 42,1°C do dia 20/01 foi a maior para o local desde 1986, quando foi observada temperatura de 42,2°C (em 27/01/1986). As maiores temperaturas já observadas no estado do Rio Grande do Sul são apresentadas na Tabela 2.

Figura 3: Temperatura máxima do ar às 15 h (a) e anomalia/desvio diária de temperatura máxima (b) no dia 20/01/2022. Fonte: INMET.

Tabela 2 – Recordes de temperatura máxima para o Rio Grande do Sul. Fonte: INMET.

Veja a Nota completa aqui.

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