Chuvas irregulares e altas temperaturas impactam o desenvolvimento do milho segunda safra no Centro-Oeste

Déficit hídrico eleva o risco produtivo em áreas de Goiás e Mato Grosso do Sul

Publicado em 23/04/2026 11h36 . Última modificação 23/04/2026 11h42 .

O desenvolvimento do milho segunda safra avança pelo Brasil em um cenário marcado pela irregularidade das chuvas e pela persistência de temperaturas elevadas, fatores que têm influenciado diretamente o desempenho das lavouras nesta fase do ciclo. De acordo com o monitoramento da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), as condições gerais ainda são consideradas favoráveis ao manejo e ao desenvolvimento da cultura em grande parte das regiões produtoras, embora tenha apresentado má distribuição das chuvas e redução dos volumes em alguns estados produtores.

Nesse contexto, Mato Grosso do Sul e Goiás, importantes polos da produção de milho segunda safra, vêm apresentando comportamentos distintos em resposta às condições meteorológicas observadas nas últimas semanas.

No Mato Grosso do Sul, as chuvas ocorridas foram esparsas e, em alguns momentos, dificultaram a conclusão do plantio nas áreas remanescentes. No geral, as lavouras mantêm um bom desenvolvimento, porém o setor vem enfrentando desafios fitossanitários, com o aumento da incidência de lagartas do gênero Spodoptera e da lagarta-do-cartucho, o que requer maior atenção e intensificação do manejo nas lavouras. O principal ponto de atenção, concentra-se em áreas do sudoeste e sul do estado, onde a combinação de baixos volumes de chuva e temperaturas elevadas tem contribuído para a redução dos estoques de água no solo. No município de Dourados, por exemplo, as estimativas do Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária (SISDAGRO) indicam déficit hídrico persistente ao longo do ciclo, refletindo no aumento da perda do potencial produtivo do milho segunda safra (Figura 1). Este sistema considera indicadores agrometeorológicos, como precipitação, evapotranspiração e o balanço hídrico do solo, para avaliar os impactos das condições climáticas sobre o desempenho das culturas.

Figura 1: Estimativa de perda de produtividade para a cultura do milho no período de 20 de fevereiro a 28 de abril em Dourados (MS). Fonte: SISDAGRO.

Em Goiás, apesar da redução das chuvas nas últimas semanas, a umidade ainda presente no solo tem contribuído para o desenvolvimento das lavouras de milho segunda safra em grande parte do estado. No entanto, esse cenário tem apresentado sinais de mudança, principalmente nas regiões Sul e Leste, onde a combinação de baixos acumulados de chuva e temperaturas mais elevadas tende a intensificar a perda de água do solo. Nessas áreas, a redução da disponibilidade hídrica ocorre em um momento crítico para o ciclo da cultura, já que grande parte das lavouras se encontra nas fases de floração e enchimento de grãos, estádios em que o milho exige maior demanda por água. A restrição hídrica nesse período pode afetar diretamente a formação e peso dos grãos. No município de Rio Verde, localizado no sul de Goiás, as estimativas do SISDAGRO indicam aumento do déficit hídrico a partir do mês de março, com reflexos já observados sobre o potencial produtivo da cultura, com uma estimativa de perda de 52,6% (Figura 2).

Esse cenário indica que, caso a irregularidade das chuvas persista nos próximos dias, sobretudo no Sul do estado, o milho segunda safra poderá enfrentar limitações no desenvolvimento, com prejuízos à qualidade dos grãos e no rendimento final das lavouras, configurando um quadro de maior risco produtivo (Figura 2).

Figura 2: Estimativa de perda de produtividade para a cultura do milho no período de 20 de fevereiro a 28 de abril de 2026 em Rio Verde (GO). Fonte: SISDAGRO.


Previsão de Tempo

A previsão para os próximos quinze dias (23 de abril a 9 de maio) indica irregularidade na distribuição das chuvas na Região Centro-Oeste do Brasil. Os maiores acumulados são previstos para áreas do noroeste e oeste do Mato Grosso e centro-sul do Mato Grosso do Sul, com volumes acima de 60 mm. Nas demais áreas da região, os acumulados devem permanecer abaixo de 40 mm entre o final de abril e o início de maio. Volumes abaixo de 10 mm ou ausência de chuva, podem ocorrer no sudeste do Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal.

As temperaturas máximas devem variar entre 26 °C e 34 °C na maior parte da região. Em áreas do noroeste e norte de Goiás, nordeste e sul do Mato Grosso, os valores podem superar 34 °C ao longo das próximas semanas. A umidade relativa do ar deve permanecer abaixo de 40%, especialmente no leste e sul de Goiás, bem como em áreas do Mato Grosso do Sul. Esse cenário favorece a redução dos estoques de água no solo ao longo da semana, com persistência do déficit hídrico nesta região.

Esse quadro reforça a necessidade de atenção no planejamento das atividades agrícolas, recomendando-se o acompanhamento contínuo das atualizações meteorológicas e o monitoramento das condições de umidade do solo, a fim de subsidiar a tomada de decisão no manejo das lavouras, reduzir riscos operacionais e otimizar o planejamento das operações de campo.

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