Chuvas irregulares ditam o ritmo da colheita do feijão primeira safra e evidenciam contrastes no MATOPIBA
Chuvas afetam a qualidade dos grãos na Bahia e favorecem o fim de ciclo no Piauí.
A colheita da primeira safra de feijão tem avançado pelo Brasil, atingindo 73,5% da área total cultivada. Na região do MATOPIBA (que engloba os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia), importante fronteira agrícola, o ritmo dos trabalhos e a qualidade final dos grãos estão diretamente ligados à distribuição das chuvas neste início de abril. Dentro deste polo, as condições meteorológicas das últimas semanas têm colocado os estados da Bahia e do Piauí em posições de forte contraste
No Piauí, os acumulados de chuvas nas últimas semanas trouxeram alívio aos produtores da região. As precipitações que retornaram no final de março e se estabeleceram no início de abril têm beneficiado as lavouras mais tardias. Na região sudeste do estado, que vinha apresentando sinais de déficit hídrico, a umidade recente tem contribuído para a manutenção do potencial produtivo. Para o centro-norte piauiense, como no município de Campo Maior, os excedentes hídricos recentes ajudaram a estabilizar a estimativa de perda de produtividade em 31,2%, conforme estimado pelo Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária (SISDAGRO) para a região (Figura 1). Ressalta-se que, o sistema considera indicadores agrometeorológicos, como precipitação, evapotranspiração e o balanço hídrico do solo, para avaliar os impactos das condições climáticas sobre o desempenho das culturas.
A previsão de volumes mais baixos de chuva para o sul do estado tem configurado uma janela mais favorável, permitindo que a colheita siga nas áreas mais avançadas em plena execução.

Figura 1: Estimativa de perda de produtividade para a cultura do feijão no período de 26 de dezembro a 14 de abril em Campo Maior (PI). Fonte: SISDAGRO.
Na Bahia, a evolução da colheita tem sido contida pelas condições meteorológicas. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), entre o final de março e a primeira semana de abril, as operações avançaram para 88% da área total. A persistência das chuvas tem dificultado o trânsito de máquinas no campo e a manutenção da alta umidade tem interferido na qualidade dos grãos colhidos no extremo oeste do estado. Em contrapartida, em áreas do centro-sul baiano, como o município de Vitória da Conquista, tem enfrentado uma realidade diferente. A irregularidade das chuvas associadas a temperaturas elevadas tem contribuído para a redução dos estoques de água no solo. De acordo com as estimativas do Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária (SISDAGRO), a perda de produtividade do feijão pode chegar a 42,6% até o dia 14 de abril (Figura 2).

Figura 2: Estimativa de perda de produtividade para a cultura do feijão no período de 26 de dezembro a 14 de abril de 2026 em Vitória da Conquista (BA). Fonte: SISDAGRO.
Previsão de Tempo
Nos próximos dias, a previsão indica irregularidade na distribuição das chuvas na Região Nordeste do país. Os maiores acumulados são previstos para áreas do norte, centro‑norte e sudeste do Piauí, com volumes variando entre 20 e 70 mm. Na Bahia, os volumes mais elevados devem se concentrar no sul do estado, com acumulados entre 30 e 90 mm, principalmente entre sábado (11) e domingo (12). Nas demais áreas da região, a previsão é de baixos acumulados de chuva ao longo da semana.
Quanto às temperaturas, são previstas máximas entre 28 °C e 36 °C na maior parte da Região Nordeste. Em áreas do sudeste do Piauí, as temperaturas poderão superar os 36 °C, enquanto, na Bahia, a tendência é de valores acima de 30 °C na maior parte do estado ao longo da semana.
Esse cenário, associado à irregularidade das chuvas e às temperaturas mais elevadas, tende a contribuir para a redução dos estoques de água no solo, especialmente no centro‑sul baiano, onde os indicativos de déficit hídrico devem persistir até o final da semana.
Esse quadro reforça a necessidade de atenção no planejamento das atividades agrícolas na região, recomendando-se o acompanhamento contínuo das atualizações meteorológicas, bem como o monitoramento das condições de umidade do solo, a fim de subsidiar a tomada de decisão no manejo das lavouras, reduzir riscos operacionais e otimizar o planejamento das operações de campo.

Veja mais: