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"CICLONE BOMBA": FENÔMENO ATINGIU O SUL DO BRASIL NO INÍCIO DA SEMANA

Fenômeno aconteceu entre o final da noite de segunda-feira (29/06/20) e a manhã da terça-feira (30/06/2020).

Por Maisa Pereira de Souza - publicado 02/07/2020 08h59 . Última modificação 02/07/2020 16h01 .

Entre o final da noite de segunda-feira (29/06/20) e a manhã da terça-feira (30/06/2020), o forte contraste de massas de ar (quente ao norte e fria ao sul), associado à perturbação dos ventos e deslocamento de cavado atmosférico (área de baixa pressão) em médios e altos níveis, foram os responsáveis pela formação e rápida intensificação de um ciclone extratropical (fenômeno comum, sempre associado às frentes frias, e que se forma tipicamente entre a Argentina/Uruguai, sul do Paraguai, sul do Brasil e costa Atlântica dessas áreas). Pelo fato da rápida queda da pressão atmosférica em seu centro (maior ou igual do que 24 Hectopascais – hPa - em 24h) pode ser denominado de ciclogênese explosiva ou simplesmente ciclone bomba.

A grande questão em relação a esse ciclone é que ele teve uma abrangência muito maior do que geralmente é registrado, na verdade todo ano há, pelo menos, uma ocorrência de um ciclone bomba ou a chamada ciclogênese explosiva (que é o outro nome técnico) com estas características na costa Atlântica da América do Sul. Neste caso, a grande diferença foi a abrangência e aonde ele se aprofundou; geralmente ele se aprofunda mais no oceano e, desta vez, ele se aprofundou intensamente já no continente.
Houve queda extraordinária da pressão atmosférica na região do aeroporto de Florianópolis, capital de Santa Catarina. A pressão atmosférica caiu exatamente 24 hPa de um dia para o outro, queda de 1020 hPa para 996 hPa, situação rara. O informe abaixo, a cada 6 horas, do relatório METAR, mensagem de observações meteorológicas do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) em aeródromos, do aeroporto de Florianópolis (SBFL), em negrito destacado o período de 24h e, em amarelo, os registros de pressão atmosférica:


A Figura 2 apresenta as imagens de satélite entre a manhã do dia 30 de junho e a noite do dia 01 de julho de 2020. No dia 30 de junho, Figura 2a, observa-se muitas nuvens no estado do Rio Grande do Sul; nesse horário, o ciclone já estava formado sobre o Rio Grande do Sul. Os ventos mais intensos ocorreram na tarde e noite de terça-feira 30/06/2020, quando a formação e rápido desenvolvimento do ciclone propiciou o deslocamento de uma frente fria e fortes áreas e linhas de instabilidade, capazes de promover ventos destrutivos (alguns destes com possíveis tornados), desde o norte do Rio Grande do Sul (área de Iraí, Vacaria, Lagoa Vermelha e Muitos Capões, até áreas de Santa Catarina e do Paraná (Chapecó, Indaial, Balneário Camboriú, Clevelândia) com ventos de até 120 km/h. Na Figura 2b, na noite do dia 30 (00UTC do dia 01 de julho representa imagem às 21h do dia 30 de junho), o ciclone já havia se deslocado para leste, em direção ao Oceano Atlântico. Na manhã do dia 01/07, Figura 2c, o centro do ciclone encontrava-se sobre o Atlântico, porém sua borda oeste ainda influenciava nas condições de tempo especialmente no litoral do Rio Grande do Sul. Na madrugada do dia 01/07 (quarta-feira) as rajadas de vento chegaram a 116 km/h em Santa Vitória do Palmar no extremo sul Gaúcho, quando do estágio de ciclone maduro produziu fortes ventos em sua borda. A Figura 2d, refente a noite do dia 01/07, já apresenta o ciclone mais afastado do continente e a frente fria sobre o Rio de Janeiro.



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